Com uma obra que reduz as barreiras entre realidade e ficção, o escritor francês Emmanuel Carrère foi anunciado esta quarta-feira na Espanha como o vencedor do prémio Princesa das Astúrias das Letras.

O também argumentista e realizador parisiense de 63 anos criou "uma obra muito pessoal que gera um novo espaço de expressão que apaga as fronteiras entre a realidade e a ficção", anunciou o júri, que se reuniu de forma virtual por causa da pandemia de COVID-19.

O júri, presidido por Santiago Muñoz Machado, diretor da Real Academia Espanhola, elogiou-o como um escritor que faz "um retrato incisivo da sociedade atual e exerceu uma influência notável na literatura de nosso tempo".

Conhecido principalmente por "O Adversário" (2000), um livro que é comparado com frequência a "A Sangue Frio" (1966) do americano Truman Capote, Carrere publicou o primeiro romance, "L’amie du jaguar", em 1983.

Mas foi a partir de "O Adversário", a história real de Jean-Claude Romand, que a 9 de janeiro de 1993 matou a família e tentou cometer suicídio sem sucesso, que passou a desenvolver o seu texto de não ficção, no qual mistura a própria experiência com as vidas de pessoais reais. Emmanuel Carrère foi um dos argumentistas da adaptação ao cinema em 2002, protagonizada por Daniel Auteuil.

A par da escrita, Emmanuel Carrère tem também um percurso no cinema, como argumentista e como realizador, tendo dirigido, entre outros, "Amor Suspeito" (2005), que se estreou nos cinemas portugueses, e que teve parte da ação rodada em Macau.

Autor de uma obra extensa, contam-se, entre os seus principais títulos, "Limonov", dedicado ao escritor e político russo Eduard Limonov, "Pesadelo na Neve" e "O Adversário", já editados em Portugal, assim como "O Reino", publicado no passado mês de abril, pela Tinta-da-China.

Emmanuel Carrère foi já distinguido com os prémios Renaudot e Femina, o Prémio Europeu de Literatura e, pelo conjunto da sua obra, com o Grande Prémio de Literatura Henri Gal, da Academia Francesa, e com o Prémio da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, que sublinhou seu caráter "versátil, amplo e transversal”.

Este foi o quinto dos oito Prémios Princesa das Astúrias que vão ser anunciados este ano, depois de o galardão para a Comunicação e Humanidades ter sido atribuído à jornalista e escritora norte-americana Gloria Steinem, para as Artes à artista sérvia Marina Abramovic, para as Ciências Sociais ao economista indiano Amartya Sem e, para o Desporto, à nadadora espanhola Teresa Peralves.

O Prémio Princesa das Astúrias para as Letras foi atribuído em 2020 à poeta e ensaísta canadiana Anne Carson e, em edições anteriores, aos escritores Siri Hustvedt (2019), Adam Zagajewski (2017), Richard Ford (2016), Leonard Cohen (2011), Amin Maalouf (2010), Gunter Grass (1999), Mário Vargas Llosa e Rafael Lapesa (1986), entre outros.

Os Prémios Princesa das Astúrias distinguem, em termos gerais, o “trabalho científico, técnico, cultural, social e humanitário” realizado por pessoas ou instituições a nível internacional e, o destinado às Letras, “a obra de criação e aperfeiçoamento da produção literária em todos os seus géneros”.

Cada prémio consiste numa escultura do pintor e escultor espanhol Joan Miró – símbolo que representa o galardão -, 50.000 euros, um diploma e uma insígnia, que, até 2019, foi entregue numa cerimónia solene presidida pelo rei de Espanha, Felipe VI, no teatro Campoamor, em Oviedo.

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