A rodagem da sequela de "A Paixão de Cristo" começa este verão, quase uma década após as primeiras notícias oficiais de que estava em preparação.

A produção de "The Resurrection of the Christ" [A Ressurreição de Cristo] arranca em agosto na Cinecittà em Roma, revelou Manuela Cacciamani, a presidente executiva do mítico estúdio, numa entrevista ao jornal económico italiano Il Sole 24 Ore.

A revista especializada Variety confirmou junto de várias fontes a altura da produção, que terá lugar principalmente no novo e gigantesco estúdio 22 da Cinecittà.

Tal como aconteceu com o filme de 2004, a rodagem passará ainda pela cidade de Matera, no sul de Itália, e outras zonas rurais do país, como Ginosa, Gravina di Laterza e Altamura.

Os dois filmes são produções independentes da indústria de Hollywood. Além do regresso de Jim Caviezel como Jesus, a Variety destaca que também parecem estar envolvidos os atores Maia Morgenstern e Francesco De Vito, que interpretaram a mãe de Jesus e Pedro no primeiro filme.

Rodagem de "A Paixão de Cristo"

Em janeiro, Mel Gibson descreveu a sequela como "uma viagem psicadélica” numa entrevista a Joe Rogan, acrescentando que “nunca leu nada parecido” com o argumento que escreveu com Randall Wallace, o seu colaborador do vencedor dos Óscares "Braveheart" (1995) e de outros filmes.

E aprofundou: “De certa forma, o meu irmão, eu e o Randall reunimo-nos nisto. Portanto, há algumas cabeças boas juntas, mas tem algumas coisas malucas. E acho que para realmente contar a história como deve ser tem realmente de se começar com a queda dos anjos, o que significa que se está noutro lugar, noutra realidade. Precisa-se ir ao inferno."

Numa entrevista de 2022, Gibson explicou que a história não seria uma "narrativa linear" e que pretendia sobrepor o evento central "com tudo o resto à sua volta no futuro, no passado e noutras esferas, e isto está a ficar um pouco ficção científica. É uma grande história, é um conceito difícil e levei muito tempo a concentrar-me e a encontrar uma forma de contar essa história que realmente funcione".

A expectativa será inevitavelmente elevada: "A Paixão de Cristo" foi um gigantesco e controverso sucesso de bilheteira a nível mundial em 2004, com 612 milhões de dólares nas bilheteiras, o valor mais elevado para a sua classificação etária até à estreia de "Deadpool" em 2016. Em Portugal, foi visto por mais de 720 mil espectadores.

Apesar de algumas acusações de reforçar estereótipos antissemitas (Brad Pitt chegou a compará-lo a propaganda), a seguir Hollywood e estúdios independentes começaram a explorar com mais insistência e até aos dias de hoje o filão da fé em filmes e séries.

Mas como disse Wallace em 2016, "a comunidade evangélica considera 'A Paixão de Cristo' o maior filme de sempre de Hollywood e continuam a dizer-nos que acham que uma sequela será ainda maior".