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Os discursos cada vez mais longos dos vencedores dos Óscares agradecem principalmente à família, à equipe de rodagem, a Deus ou a uma figura inspiradora do cinema.
Antes da 97.ª cerimónia no domingo, a agência France-Presse (AFP) analisou cerca de 2.100 discursos proferidos desde 1953 por vencedores de estatuetas, seja para um filme concorrente ou falando por si mesmos.
As poucas frases ditas num idioma diferente do inglês foram, na sua maioria, traduzidas com a proposta pelos Óscares.
Mais de 80% desses discursos foram proferidos por homens.
Na década de 1950, uma média de três frases por discurso era proferida. Desde então, a sua duração continuou a aumentar, chegando a 15 frases em 2024.
No entanto, discursos longos devem ser proibidos. Os nomeados de 2025 foram lembrados num jantar na terça-feira de que não devem falar mais de 45 segundos se ganharem.
O discurso mais longo foi proferido por Daniel Kaluuya, Melhor Ator Secundário em "Judas e o Messias Negro" com quase 70 frases, em 2021, a cerimónia da pandemia que se realizou na estação ferroviária de Los Angeles. Em três minutos e 30 segundos, citou cerca de 30 pessoas, de Deus à sua equipa, a sua família e todos os que ama, "de Londres a Kampala".
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Em contrapartida, quase 200 vencedores optaram pela brevidade com uma única frase.
Quando Charles Brackett, Walter Reisch e Richard Breen ganharam o Óscar de Melhor Argumento Original por "Titanic" (a versão de 1953), o primeiro mal teve tempo de receber a estatueta e dizer "Obrigado" antes que o trio fosse direcionado para o outro lado do palco.
As mulheres fazem os discursos mais longos, com mais de nove frases em média, em comparação com as sete dos homens. As vencedoras do Óscar de Melhor Atriz são as que mais falam, com 18 frases, duas frases e meia a mais do que os seus colegas homens.
A Academia, Deus e Spielberg
O elemento indispensável é a palavra "obrigado", que está presente em quase 95% dos discursos analisados.
Alguns expressam a sua "gratidão", como Vincente Minnelli na cerimónia de 1959, quando recebeu o Óscar de Melhor Realização por "Gigi". Outros, como Arthur Harari, que recebeu o prémio em 2024, pelo argumento de "Anatomia de uma Queda", uma vez no palco, deixam os seus agradecimentos à colega e companheira Justine Triet.
As "melhores atrizes" são as que mais agradecem, usando a palavra "obrigada" 6,2 vezes. Halle Berry dedicou metade das cerca de 60 frases do seu discurso a agradecimentos em 2002, quando se tornou a primeira atriz negra a ganhar este Óscar pelo seu papel em "Monster's Ball - Depois do Ódio".
Considerando que "este momento é muito maior do que ela", a atriz dedicou o seu prémio a "todas as mulheres de cor sem nome e sem rosto que agora têm uma oportunidade porque esta porta abriu-se esta noite".
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Por outro lado, Frances McDormand, premiada como Melhor Atriz pelo seu papel em "Fargo" (1996), dos irmãos Coen, quase não disse "obrigada". Com o seu singelo "Obrigada por reconhecerem nosso trabalho", deu os parabéns aos produtores por "permitirem que os realizadores tomem decisões autónomas de seleção de elenco com base em qualificações e não apenas no valor comercial".
A Academia dos Óscares, que concede os prémios, é a entidade mais citada. Mencionada num discurso a cada 12 na década de 1950, na última década passou a ser num a cada dois.
Outra referência popular é "Deus", que aparece quase 190 vezes em mais de 140 discursos. Mais de seis em cada 10 vezes, a palavra refere-se à figura religiosa, das quais quase metade usa a expressão "God bless..." [Deus abençoe].
Entre todas estas referências a "Deus", uma em cada cinco corresponde à expressão "Oh my God" [oh meu Deus], uma frase coloquial que não tem ligação direta com a figura religiosa.
Em termos de personalidades, Steven Spielberg é o mais frequentemente citado (cerca de 40 vezes) e agradecido. Nomeado 23 vezes até ao momento, o influente cineasta de Hollywood não deixou de incluir vários "obrigados" nos seus discursos pelas três estatuetas que recebeu, com "A Lista de Schindler" (1993) e "O Resgate do Soldado Ryan" (1998).
A 97.ª edição dos Óscares está marcada para 2 de março, em Los Angeles, Califórnia, com apresentação de Conan O’Brien. Será transmitida em Portugal pela RTP1 e pela plataforma Disney+.
Após "Emília Pérez", seguem-se "O Brutalista" e "Wicked" com dez nomeações, "Conclave" e "A Complete Unknown" com oito, "Anora" com seis, "Dune - Duna: Parte 2" e "A Substância" com 5.
O SAPO também terá uma cobertura especial pela noite dentro com acompanhamento ao minuto, atualização de todos os vencedores e análise dos principais acontecimentos, da passadeira vermelha até à cerimónia.
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