
O papel do teatro na atualidade é discutido no domingo em Leiria, na primeira edição das jornadas dedicadas à arte cénica, organizadas pelo município e pelo grupo Te-Ato.
As Jornadas de Reflexão sobre Teatro em Leiria e na Região decorrem na Black Box ao longo da manhã e tarde e, segundo João Lázaro, do Te-Ato, servem para “perceber para quê e a quem serve o teatro”.
“Muito mais do que estéticas”, explicou à agência Lusa o ator, encenador e autor, importa perceber “a quem isto serve e como nós [agentes do teatro] podemos ser um elemento propulsor da consciencialização, da reflexão, da solidariedade, dos valores da humanidade, que se estão a esvair nesta sociedade que parece uma ferida aberta”.
O encontro é destinado aos grupos, companhias e agentes públicos e privados ligados ao teatro e pretende ser um momento de diálogo, raro, entre quem se dedica à arte.
“Nós não falamos uns com os outros. Entre as companhias, nós não nos vemos uns aos outros, não discutimos teatro. É muito estranho”, lamentou o fundador do Te-Ato, companhia que teve origem há 48 anos.
Segundo João Lázaro, é necessário discutir e “voltar à palavra, voltar à essência”.
“É aquilo que Bertholt Brecht dizia: o teatro tem de ser universal, tem de dizer respeito a toda a gente”.
Para fomentar a reflexão, há convidados que trabalham em teatro, mas também com “periferias da sociedade”, como refugiados ou “âmbitos sociais muito fragilizados”.
“Queremos perceber como é que esta gente tem acesso à cultura, perante este descalabro em que se está a tornar o mundo”, afirmou.
Neste primeiro ato das Jornadas de Reflexão sobre Teatro em Leiria e na Região são convidados a diretora de comunicação da Culturgest, Catarina Medina, a diretora-geral da associação InPulsar, Lisete Cordeiro, a diretora da Acesso Cultura e mediadora cultural, Rita Pires dos Santos, o dramaturgo Luís Mourão, o chefe da divisão da Cultura da Câmara de Coimbra, Rafael Nascimento, e o investigador em novos 'media' e tecnologias pós-digitais, sistemas ecológicos e estudos culturais, Rui Ibañez Matoso.
“Quanto mais o teatro servir para aquilo que ele nasceu - fazer refletir sobre a condição humana -, mais o teatro se cumpre, muito mais do que os aparatos e as tecnologias de que hoje todos nos socorremos para vender o nosso ‘peixe’”, concluiu João Lázaro.
A intenção do município de Leiria é repetir anualmente as Jornadas de Reflexão sobre Teatro em Leiria e na Região, com organização rotativamente entregue a uma companhia do concelho.
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