“O projeto está em risco porque a maior parte da despesa é acarretada pelo ministério da Educação através da contratação de professores para todo o projeto, e já são cerca de 60 a 70 professores”, disse Wagner Diniz.

De acordo com o responsável, o financiamento por parte da tutela e das autarquias “corresponde praticamente a 85% do orçamento do projeto”, mas até agora ainda não recebeu o financiamento para este ano nem sabe se receberá.

Contactada pela agência Lusa, fonte oficial do ministério da Educação garantiu que “será dada continuidade ao projeto”, sem, no entanto, avançar com valores. “Estamos a analisar a mobilização dos recursos adequados”, disse.

Wagner Diniz, que é presidente do conselho executivo da Escola de Música do Conservatório de Lisboa, lembrou que esta incerteza “tem sido uma constante, quase todos os anos”, lembrando que, todos os anos, é preciso certificar que, no ano seguinte, o ministério continua a aprovar o projeto. “Não tendo o apoio o projeto morre”, referiu.

O projeto da Orquestra Geração é inspirado no sistema nacional das Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela, criado nos anos 1970 para crianças e jovens de bairros desfavorecidos.

Em Portugal, a Orquestra Geração surgiu em 2007 por iniciativa conjunta da Escola de Música do Conservatório Nacional, da Câmara Municipal da Amadora e da Fundação Calouste Gulbenkian, com o apoio do Fundo Social Europeu. No ano letivo de 2009/2010, a orquestra juvenil obteve do ministério da Educação um apoio para a contratação dos professores dos vários núcleos.

De acordo com Wagner Diniz, a Orquestra Geração abarca quase 900 crianças que frequentam 12 escolas [do 1.º, 2.º e 3.º ciclo] na zona de Lisboa e uma em Coimbra.

Depois de terminarem o ensino básico, os alunos que não sigam a via de ensino da Música mas queiram continuar a tocar instrumentos podem fazer parte das orquestras municipais, a segunda fase do projeto.

O responsável adiantou que no dia 25 de abril vai estrear-se ao vivo, nos Recreios da Amadora, a primeira orquestra municipal, formada por alunos daquele concelho. “Há também já a pré-orquestra municipal em Loures, com alunos das escolas de Sacavém, Camarate e Apelação”, acrescentou.

Wagner Diniz garante que os responsáveis pelo projeto estão, “desde setembro”, a tentar obter uma resposta da tutela sobre a manutenção do projeto e respetivo valor a receber, “tendo em conta a conjuntura atual”. “Desse apoio [do ministério da Educação] está muito dependente o apoio das câmaras municipais e de instituições privadas, porque se não houver professores, as câmaras eventualmente não estarão interessadas em continuar a apoiar”, disse.

Esta incerteza “delimita” aos responsáveis pela Orquestra Geração “a capacidade de angariação de fundos e de planeamento”.

Texto @Lusa /Foto @http://www.orquestra.geracao.aml.pt