
A edição deste ano do festival tem como lema “Punctum contra Punctum. Polifonias de Machaut a Ligeti” e decorrerá em oito localidades baixo-alentejanas, aliando os concertos a ações de sensibilização para a preservação da biodiversidade.
Na apresentação do Festival, hoje, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém (CCB), Paolo Pinamonti realçou que a edição deste ano “será uma viagem pela polifonia, que foi o movimento mais importante da música culta ocidental, ao dar-lhe uma outra dimensão”.
O responsável afirmou que o programa propõe uma linha que vai de Guillaume de Machaut, compositor do século XIV, que “é o primeiro grande autor da música culta ocidental, a Gyorgy Ligeti”, falecido em 2006 em Viena, que levou o processo ao limite, com a chamada "micropolifonia", em composições como "Luz Aeterna" ou "Apparitions".
O Festival tem um orçamento global de 200 mil euros, dos quias “30 a 40 por cento correspondem às remunerações dos artistas”, disse José António Falcão, da diocese de Beja, que organiza o certame.
O responsável sublinhou “as condições muito especiais” em que “artistas deste gabarito” vêm atuar ao Baixo Alentejo, atraídos pela região e pelas características do Festival.
“A soprano Maria Bayo ficou tão encantada com a região, quando atuou no ano passado, que está à procura de uma casa para residir”, no Baixo Alentejo, disse Falcão.
Por outro lado, José António Falcão realçou o apoio logístico das autarquias e o envolvimento da população que “abre casas e palácios para receber os participantes e os guiar pela região”.
Sublinhando que “todos, no Festival, são voluntários”, José António Falcão disse que a participação dos voluntários se divide em três grupos: “Os que acolhem os artistas”, “os que tratam da logística do festival” e os “que garantem o apoio durante os concertos e as ações sobre biodiversidade, e garantem um sistema informal de transporte para que todos tenham hipótese de assistir aos concertos”.
José António Falcão, que dirige o departamento do património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, destacou a “adesão constante”, não só dos alentejanos, como de pessoas vindas de outras regiões portuguesas e também das espanholas, da Andaluzia e Estremadura.
Segundo um estudo da organização do certame, hoje citado por este responsável, “cada euro aplicado no Festival equivale a 50 euros de despesa no território, além da defesa da marca ‘Alentejo’”, que qualificou de “muito importante”.
Das dormidas às refeições, José António Falcão sublinhou o “dinamismo económico do Festival”, no consumo de “produtos regionais de excelência”.
Falcão sublinhou ainda o contributo do Festival para a “auto estima das populações, que tudo arranjam e cuidam a primor”.
Hoje, também no CCB, foi assinado um protocolo entre o Festival e o OPART, organismo que integra o Teatro de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado. Este protocolo “vai além das administrações e das pessoas que ocupam os cargos, defende as nossas instituições e permite dar previsibilidade” às iniciativas das instituições, disse João Villa-Lobos, do OPART.
Segundo Villa-Lobos o protocolo assinado, que inclui a área técnica e a artística, “associa de forma sistemática e regular o São Carlos ao Festival” e ajuda o teatro lírico “a cumprir parte de uma obrigação sua que é a descentralização”.
O Festival começa no sábado, na igreja matriz de Santo Ildefonso, em Almodôvar, com o Concerto Moderno, sob a direção de César Viana, que interpretará peças de Mozart, Toru Takemitsu e Pergolesi.
O último concerto realiza-se no dia 13 de julho, em Sines, com a Camerata Bocherini e a soprano María José Moreno, na igreja matriz do Santíssimo Salvador.
@Lusa
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