O filme é produzido pela Amazon Studios e será o primeiro distribuído exclusivamente pela filial artística do gigante revendedor online.

O estúdio cancelou a anteestreia do filme, em meados de outubro, prevista para alguns dias depois do início do escândalo sexual em torno de Harvey Weinstein.

Houve quem encarasse a decisão como uma forma de evitar que associassem o produtor de Hollywood ao nome de Woody Allen, acusado de abuso sexual contra a sua filha adotiva Dylan, então com sete anos de idade, mas que ele sempre negou.

A exibição decorreu em meados de novembro, mas Woody Allen não deu entrevistas durante a promoção do filme, que estreia esta sexta-feira nos Estados Unidos e a 14 de dezembro em Portugal.

Na sua 47ª longa-metragem, o realizador volta a Coney Island, a praia mais famosa da cidade onde foi filmada a primeira cena do clássico "Annie Hall" (1977), que se passa pouco depois da Segunda Guerra Mundial. Desde então, o cineasta tem homenageado Nova Iorque de várias formas.

Desta vez, Allen entrega-se a uma nova imersão nostálgica entre as décadas de 1930 e 1950, que serviram de cenário para muitas de suas produções. O parque de diversões aberto o ano inteiro e a dois passos do oceano completa a vista, que mudou pouco desde então.

No centro da trama, com quatro personagens principais, que muitas vezes parecem de teatro filmado, está Ginny, uma mãe quarentona interpretada por Kate Winslet, para quem Woody Allen escreveu o papel.

Empregada de mesa num "diner", restaurante fast-food típico dos Estados Unidos dos anos 1940 e 1950, Ginny não desistiu do seu sonho de atriz, do qual se aproximou em produções modestas.

Há "muita confusão" na sua cabeça, descreveu a atriz britânica durante o Festival de Cinema de Nova Iorque há algumas semanas.

E, por lá, passa Mickey (Justin Timberlake), um jovem nadador salvador que a seduz com o seu físico atraente e, principalmente, com as suas aspirações artísticas.

Ela "deixa tudo com a esperança de algo novo, num lugar distante, mas é um sonho impossível, inalcançável, intocável", disse Kate Winslet.

Uma Kate Winslet intensa

Este retrato de uma mulher arruinada pelos seus erros, que luta para se libertar dessa condição, é interpretado com inspiração por Kate Winslet, que trabalha pela primeira vez com Woody Allen.

"A ideia de trabalhar com Woody Allen é muito emocionante", disse ela, revelando que o acompanha desde que decidiu tornar-se atriz.

Em 2005, o cineasta propôs-lhe o papel de Nola Rice em "Match Point", mas a atriz rejeitou a oferta para se dedicar ao filho pequeno, então com apenas algumas semanas de vida. Scarlett Johansson acabou por encarnar o papel.

"Sabia que era muito provável que essa fosse a minha única hipótese" de trabalhar com o realizador vencedor de quatro Óscares, lembrou Winslet numa entrevista publicada na edição de outubro da revista "Variety".

O filme também se destaca pela fotografia, da autoria de Vittorio Storaro ("Apocalypse Now" e "O Último Tango em Paris"). A luz e as cores são um elemento fundamental de "Roda Gigante", marcando as reviravoltas da história.

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