Sob o signo da diversidade arranca esta quinta-feira o mais popular evento de animação de Lisboa – a Monstra.

Na capital, a 15ª edição do festival decorre entre 3 e 13 de março em oito espaços diferentes – sendo, como de costume, o cinema São Jorge o seu palco principal.

Entre longas e curtas-metragens, está prevista a exibição de 605 filmes – entre os quais 238 em competição. Aumentando exponencialmente a sua abrangência, a Monstra expande as suas parcerias com escolas, universidades e espaços como o Museu das Marionetas – para além de levar a programação a mais nove cidades do país.

A vastidão das ofertas cinematográficas, com obras vindas de todas as partes do mundo, ganha mais relevo diante de um circuito comercial estrangulado pela força da distribuição e do marketing dos produtos 'made in Hollywood'.

Como observa o diretor, Fernando Galrito, não se trata de desmerecer essas produções mas antes revelar que, fora do circuito habitual, existe um universo de trabalhos igualmente bons que não chegam ao mercado: “Todos os anos mostramos ao público que não existem só filmes da Disney e da Pixar. Com a diversidade ficamos mais ricos em conhecimento de outros povos, de outros olhares, para além de verificarmos que, muitas vezes, são semelhantes aos nossos. Não há nada que temer”.

A competição

Um dos destaques inevitáveis é a última produção dos famosos estúdios Ghibli, “Memórias de Marnie”, que esteve na corrida aos Óscares ao lado de “O Menino e o Mundo”, obra brasileira estreada no festival há dois anos. De certa forma também um 'blockbuster', a obra japonesa vem marcada pela maestria técnica habitual conjugada com um forte apelo emocional.

A secção de competição de longas-metragens, com sete filmes no total, inclui também projetos como a obra coletiva “O Profeta”, baseada nos escritos de Khalil Gibran, ou a “Menina da Peixaria”, uma versão de marionetas para “A Pequena Sereia”. “Abril e o Mundo Extraordinário”, por seu lado, esteve nomeado aos Césars franceses.

Os adultos e a animação

Embora a vocação para agradar aos mais pequenos seja óbvia, a Monstra traz também muito cinema para adultos. Para quem ainda associa a animação com crianças, vale lembrar que esta aliança aparentemente natural foi, na verdade, uma consequência do sucesso de Walt Disney. Só que as suas obras surgiram, no entanto, mais de três décadas depois do aparecimento do formato.

“Historicamente o cinema de animação nasce como uma arte experimental, associada ao mundo em transformação das revoluções industriais”, observa Galrito.

Retrospetivas: de Portugal à Eslovénia

A República da Jugoslávia já se desfez há 25 anos e o resultado foi uma produção tão original quanto as diferentes nações daí surgidas.

Uma das retrospetivas deste ano, conforme explica o diretor, lança um olhar sobre as produções antigas e atuais da Croácia, Eslovénia, Sérvia, Macedónia e Bósnia. Com uma forte tradição vinda de Escola de Zagreb, que em 1961 produziu a primeira animação não norte-americana a ganhar um Óscar, os produtos atuais fazem um interessante diálogo com o seu antigo país.

Em Portugal, por sua vez, parte da história da animação das últimas duas décadas prende-se, em parte, ao trabalho de duas produtoras – a Animais e a Animanostra. Conforme relembra Galrito, particularmente no cinema de autor alcançou um espaço a nível mundial através de formas muito próprias de contar histórias. “É neste sentido que se justifica uma grande retrospetiva abrangendo este trabalho”, conclui.

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