Johnny Depp abandonou a saga "Monstros Fantásticos" a "pedido" do estúdio Warner Bros.

A rodagem de "Fantastic Beasts and Where to Find Them 3" começou em setembro em Londres e o ator estava escalado para trabalhar entre outubro e fevereiro de 2021 no papel do vilão Gellert Grindelwald.

Foi o próprio Johnny Depp a dar a notícia nas redes sociais, que culmina uma semana em que circularam muitos rumores de que o estúdio estava sob grande pressão, dentro e fora da produção, para terminar a relação profissional após um juiz britânico ter decidido na segunda-feira (2) que um artigo do tablóide britânico The Sun que o acusava de ser um "marido violento" era "substancialmente verdadeiro".

O estúdio também emitiu um comunicado: "Johnny Depp vai abandonar a saga 'Monstros Fantásticos'. Agradecemos ao Johnny pelo seu trabalho nos filmes até agora. 'Monstros Fantásticos 3' está atualmente em rodagem e será escolhido outro ator para o papel de Gellert Grindelwald. O filme irá estrear nos cinemas em todo o mundo no verão de 2022".

No comunicado divulgado pelo ator, este agradece as manifestações de apoio dos seus fãs e reitera a intenção de provar a sua inocência: "Quero dar-vos conta que a Warner Bros. me pediu para abandonar o meu papel como Grindelwald em 'Monstros Fantásticos' e respeitei e concordei com esse pedido. [...] O julgamento surreal do tribunal do Reino Unido não mudará a minha luta para dizer a verdade e confirmo que pretendo recorrer [da decisão]. A minha determinação permanece forte e tenciono provar que as alegações contra mim são falsas".

"A minha vida e carreira não serão definidas por este momento no tempo", conclui.

Johnny Depp processara o The Sun por causa de um artigo violento a 27 de abril de 2018 em que dizia ter batido na sua então esposa Amber Heard, algo que este sempre desmentiu.

Em sua defesa, o tablóide alegava que o artigo era "correto" e podia sustentar as suas alegações com 14 casos de abuso contra Amber Heard, que terão alegadamente ocorrido ao longo de três anos até a decisão da atriz de pedir o divórcio, em 2016.

Na sua deliberação, o juiz deu razão ao The Sun em 12 dos 14 casos.

Amber Heard, estrela de "Aquaman", testemunhou a favor do jornal e Depp foi ainda confrontado durante o julgamento com os seus problemas com drogas e no seu estilo de vida excessivo. Mensagens privadas, fotos e testemunhos acusatórios vieram à tona.

Após ser conhecida a decisão, o advogado da atriz disse que a decisão e as conclusões não eram uma surpresa para quem esteve presente nas sessões em julho e que esperavam apresentar "ainda provas mais significativas" no processo que vai avançar na justiça americana.

Críticas são antigas

Em dezembro de 2017, J.K. Rowling e a Warner Bros. responderam às críticas crescentes de muitos fãs pela decisão de manter Johnny Depp em "Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald" quando começaram a ganhar mais visibilidade as acusações feitas por Amber Heard durante o processo de divórcio.

Num comunicado no seu site oficial, a escritora e argumentista dos filmes que funcionam como as prequelas dos livros "Harry Potter", declarava estar "contente" com o envolvimento do ator.

"Quando Johnny Depp foi escolhido para ser Grindelwald pensei que ele seria maravilhoso no papel. No entanto, pela altura em que se filmou a sua pequena participação no primeiro filme ["Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los"], tinham aparecido histórias na imprensa que me preocuparam profundamente e a todos os que estão mais envolvidos com a saga", escreveu J.K. Rowling.

"Os fãs de Harry Potter tinham questão legítimas e preocupações sobre a nossa escolha de continuar com Johnny Depp no papel. Como já disse David Yates, há muito tempo o realizador da saga "Potter", naturalmente que considerámos a possibilidade de fazer nova escolha. Percebo porque é que alguns ficaram confusos e zangados por isso não ter acontecido", acrescentava a escritora.

"A enorme comunidade que se apoia mutuamente que se formou à volta de Harry Potter é uma das maiores alegrias da minha vida. Para mim, pessoalmente, a impossibilidade de falar abertamente aos fãs sobre este tema tem sido difícil, frustrante e, por vezes, penoso. No entanto, devem ser respeitados os acordos que foram feitos para proteger a privacidade de duas pessoas, ambas expressando o desejo de continuar com as suas vidas", salientava no comunicado.

"Baseado no nosso entendimento das circunstâncias, os cineastas e eu não só estamos confortáveis por manter a nossa decisão inicial, mas genuinamente contentes por ter o Johnny a interpretar uma grande personagem nos filmes. [...] Aceito que vão existir aqueles que não estão contentes com a nossa escolha do ator na personagem do título. No entanto, a consciência não é governada por comité. Dentro do mundo fictício e fora dele, todos temos de fazer aquilo que acreditamos ser o correto", concluia Rowling há três anos.

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