Durante muitos anos, vigorou um sistema onde as salas de cinema tinham direito a uma "janela exclusiva" de 90 dias de exibição, principalmente para os filmes mais importantes.

Mas a pandemia alterou isso: houve filmes lançados ao mesmo tempo nos cinemas e em streaming e outros que ficaram disponíveis muito mais cedo do que é habitual nas plataformas.

O aviso já tinha sido dado pelo maior estúdio de Hollywood, a Disney, que lançou "Mulan" e "Raya e o Último Dragão" diretamente no seu serviço de streaming Disney+ (com um preço "premium"), e ainda a animação da Pixar "Soul - Uma Aventura Sem Alma" (sem pagamento extra).

Disney deixa sinal pós-pandemia: novas formas de lançar os filmes de Hollywood vieram para ficar
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Durante uma conferência no início de março, o CEO Bob Chapek comentava que "os consumidores provavelmente estão mais impacientes do que nunca, principalmente porque agora tiveram o luxo de um ano inteiro a ter os filmes em casa praticamente quando os querem [...] não tenho a certeza que se possa voltar atrás".

Agora, numa entrevista coletiva ao The Hollywood Reporter em que se discutiu um ano de pandemia, os principais responsáveis de distribuição nos EUA da United Artists (que junta MGM e Annapurna e lançará o próximo James Bond), Paramount, Universal e Neon (que lançou "Parasitas") concordam que o sistema das janelas mudou para sempre e os grandes filmes vão mesmo chegar a casa dos espectadores mais cedo.

A Universal criou um sistema que faz com que alguns dos seus filmes fiquem disponíveis em streaming após 17 dias, enquanto a Paramount estabeleceu uma janela de 30 a 45 dias antes de colocá-los no Paramount+.

O responsável da United Artists não tem dúvida que "as janelas estão mudadas para sempre, foi preciso muito tempo e uma pandemia para que isso acontecesse", enquanto o da Universal se mostrou bastante satisfeito com os resultados do seu modelo.

"Nos últimos cinco anos, os filmes de grande lançamento que arrecadaram 10 milhões de dólares ou mais e estrearam em mais de duas mil salas arrecadaram 98% das suas receitas de bilheteira em 45 dias. Isto é tudo o que se precisa de saber. O antigo sistema era desajustado", comentou Chris Aronson, responsável pela distribuição dos filmes da Paramount, que lançará nos próximos meses "Um Lugar Silencioso 2", "Missão Impossível 7" e "Top Gun Maverick".

Confrontados com o modelo de lançamento em simultâneo de filmes nos cinemas e em streaming do estúdio Warner Bros. para os seus filmes de 2021, ou o que fez a Disney com "Raya...", todos defenderam a manutenção de uma janela exclusiva de lançamento para os cinemas.

O modelo para o futuro passará por estúdios e exibidores verem em conjunto as janelas que são mais apropriadas para cada filme, ajustadas a um mercado com pessoas que querem ver filmes nos cinemas e outras que já não iam antes da pandemia ou que apenas o faziam uma vez por mês.

Mas para os quatro responsáveis das distribuidoras, o ritmo de vacinação e as receitas de vários filmes em vários países da Ásia e Austrália são encarados como sinais de otimismo para o regresso dos espectadores aos cinemas.

Em relação ao receio de que filmes de baixo e médio orçamento desapareçam dos cinemas e se tornem o campo de ação das plataformas de streaming, a expectativa é que todos possam coexistir se forem trabalhados de forma apropriada porque existe interesse por parte dos espectadores.

Elissa Federoff, da distribuidora de "Parasitas", notou que ocorre nos filmes pequenos um efeito de crescimento gradual, em que começam a ser falados pelos espectadores e a gerar entusiasmo, ao contrário do que acontece no "buffet livre de streaming".

"As plataformas vão aos festivais de cinema e inflacionam os preços, o que torna impossível aos estúdios de cinema avançar e escolher uma pequena joia sem estar a pagar demasiado [...], mas conteúdo original e boas histórias vencerão sempre", comentou o responsável da United Artists.

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