Com dez nomeações, "Mank", de David Fincher, parte claramente na frente para a 93ª edição dos Óscares, que se realiza a 25 de abril.

Lista completa de nomeados aos Óscares

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A seguir, com seis nomeações, há um empate entre "Judas e o Messias Negro", "Minari", "Nomadland - Sobreviver na América", “Som do Metal”, "O Pai" e "Os 7 de Chicago". Com cinco nomeações ficaram "Ma Rainey: A Mãe do Blues" e "Uma Miúda com Potencial". Seguem-se as quatro de "Notícias do Mundo" e as três de "Uma Noite em Miami..." e da animação da Pixar "Soul".

Com duas nomeações ficaram "Borat, O Filme Seguinte", "Mais Uma Rodada", a nova versão de "Mulan", "Emma", "Pinóquio", "Lamento de Uma América em Ruínas" e o documentário romeno "Collective".

Os nomeados para a 93.ª edição dos Óscares foram conhecidos pouco depois das 12h00 (hora de Lisboa), numa transmissão global em direto nas redes sociais da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas conduzida virtualmente por Nick Jonas e Priyanka Chopra a partir de Londres, onde o casal está atualmente a residir enquanto a atriz trabalha num filme.

Esta novidade foi mais uma consequência da pandemia, que já adiou a cerimónia de 28 de fevereiro para 25 de abril e fará com que filmes que praticamente não foram vistos no grande ecrã e que são pouco conhecidos pelos espectadores estejam na corrida aos prémios mais importantes e mediáticos do cinema.

Antes do anúncio das nomeações, houve imagens do novo museu da Academia, que abrirá no outono, e o presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas a anunciar que a cerimónia vai dividir-se por dois locais: a Union Station, a principal estação ferroviária de Los Angeles, que permite a segurança e distância de nomeados, estrelas e público, e a sua "casa" tradicional, o Dolby Theatre.

REVEJA O ANÚNCIO DAS NOMEAÇÕES.

Duas nomeações históricas

Chloé Zhao

As escolhas da Academia acontecem num contexto nunca visto em 93 anos da história das estatuetas douradas: o de uma pandemia que fechou cinemas (o que, nos EUA, nem sequer aconteceu durante a Grande Depressão da década de 1930 ou a Segunda Guerra Mundial) e deixou a indústria num caos.

Resultado: os nomeados praticamente não estrearam nos cinemas e são desconhecidos do grande público.

Nick Jonas e Priyanka Chopra anunciaram um momento histórico com a inclusão de Chloé Zhao ("Nomadland") e Emerald Fennell ("Uma Miúda com Potencial") na categoria de Melhor Realização: é a primeira vez que duas mulheres entram na corrida e elas são apenas a sexta e sétima nomeadas na história dos Óscares (a única premiada foi Kathryn Bigelow por "Estado de Guerra", em 2010).

A categoria inclui os esperados David Fincher ("Mank") e Lee Isaac Chung ("Minari"), mas Aaron Sorkin falhou a entrada por "Os 7 de Chicago": o ramo internacional entre os mais de 9362 membros da Academia voltou a causar impacto com a inclusão do dinamarquês Thomas Vinterberg por "Mais Uma Rodada" (que está nomeado para Melhor Filme Internacional).

"Mank" na frente, mas não é o favorito para Melhor Filme

Mank

Na categoria de Melhor Filme podiam ser entre cinco e dez os nomeados, mas foram oito: "Mank", "Nomadland", "Minari", "Judas e o Messias Negro", "O Pai", "Os 7 de Chicago", "Som do Metal" e "Uma Miúda com Potencial". A partir do próximo ano, serão sempre dez os nomeados nesta categoria.

A pandemia acelerou e consolidou muito mais depressa o papel cada vez mais importante do streaming no panorama do entretenimento de Hollywood e os Óscares já refletem essa nova realidade, com três nomeados em oito: a Netflix com "Mank" e "Os 7 de Chicago" (e um total de 35 nomeações ao todo), a Amazon com "Som do Metal" (e um total de 12 nomeações). Os outros cinco filmes pertencem às divisões especializadas dos estúdios tradicionais de Hollywood, que os lançaram essencialmente em streaming por causa da pandemia que fechou os cinemas.

Em Portugal, aguardam a reabertura dos cinemas para estrearem, com exceção de "Judas e o Messias Negro", cujo lançamento estava dependente do seu comportamento nestes prémios.

"Mank" lidera destacadamente a lista com 10 nomeações: concorre ainda para Realização (David Fincher), Ator (Gary Oldman), Atriz Secundária (Amanda Seyfried), Direção Artística, Fotografia, Guarda-Roupa, Caracterização, Som e Banda Sonora (Trent Reznor e Atticus Ross, que também foram nomeados na categoria com Jon Batiste por "Soul - Uma Aventura com Alma").

Mas a história sobre os bastidores da produção de "O Mundo a Seus Pés", de Orson Welles (1941), falhou uma categoria crucial, a de Argumento Original, cuja nomeação seria a título póstumo para Jack Fincher, pai do realizador, e ainda a de Montagem.

Já "Nomadland", visto como grande favorito à vitória depois de ter dominado as prémios de outras organizações e associações de críticos, conseguiu todas as nomeações esperadas: além de Filme e Realização, concorre para Atriz (Frances McDormand, que também pode ganhar como produtora), Argumento Adaptado, Fotografia e Montagem.

A história de uma mulher já com mais de 60 anos (Frances McDormand) que perde tudo na grande crise económica de 2008 e decide viajar através de autocaravana pelo Oeste americano como uma nómada moderna valeu quatro nomeações a Chloé Zhao (Filme, Realização, Argumento Adaptado e Montagem): se ganhar todas, iguala o feito de Walt Disney, que venceu quatro galardões em nome próprio na mesma cerimónia, em 1954.

Nomadland

Outras surpresas, certamente mais polémicas no atual debate da diversidade, é que o único representante de uma história afro-americana na categoria de Melhor Filme é "Judas e o Messias Negro", já que ficaram de fora "Ma Rainey: A Mãe do Blues" e "Uma Noite em Miami...".

O primeiro está representado apenas pelas nomeações de Chadwick Boseman para Melhor Ator, Viola Davis para Melhor Atriz, DireçãoArtísitica, Caracterização e Guarda-Roupa.

Com três nomeações ficou "Uma Noite em Miami...": para Leslie Odom Jr. como Ator Secundário, que conseguiu uma segunda nomeação pela canção "Speak Now", e ainda para Argumento Adaptado. Além de Melhor Filme, havia a expectativa de que, após ganhar a estatueta como Atriz Secundária por "Se Esta Rua Falasse" (2018), Regina King pudesse integrar o grupo dos realizadores nomeados.

Mas "Judas e o Messias Negro" chegou mais longe do que apontavam as previsões, entrando no grande grupo de filmes que ficaram com seis nomeações, incluindo duas para os atores secundários, Daniel Kaluuya e, surpreendentemente, Lakeith Stanfield (que já tinham trabalhado juntos em "Foge"). O primeiro era o favorito na categoria mas a dupla nomeação para os atores pode provocar uma divisão de votos que poderá dar vantagem a Sacha Baron Cohen ("Os 7 de Chicago").

"Som do Metal" foi outro filme que ultrapassou as expectativas, com nomeações ainda para Riz Ahmed (Melhor Ator), Paul Raci (Ator Secundário), Argumento Original, Montagem e Som.

Uma lista (mais) diversa de atores

A imprensa norte-americana já fez as contas à mais diversa lista de atores nomeados em 93 anos: são nove "não brancos" nas 20 vagas das quatro categorias (o recorde estava nos sete em 2006 e 2016).

O grupo é formado por Chadwick Boseman, Riz Ahmed e Steven Yeun (Melhor Ator), Viola Davis e Andra Day (Atriz), Daniel Kaluuya, LaKeith Stanfield e Leslie Odom, Jr. (Ator Secundário) e Yuh-Jung Youn.

O prémio mais seguro será o de Melhor Ator para Chadwick Boseman, falecido em agosto do ano passado: uma nomeação a título póstumo por "Ma Rainey: A Mãe do Blues" acontece pela primeira vez desde que Heath Ledger concorreu e ganhou como secundário por "O Cavaleiro das Trevas" em 2008; para Melhor Ator não acontecia desde 1976, quando Peter Finch foi nomeado e ganhou por "Escândalo na TV.

A categoria não teve surpresas, com a presença de Riz Ahmed (“Som do Metal”), Anthony Hopkins (“O Pai”), Gary Oldman (“Mank”) e Steven Yeun ("Minari"). Falharam as hipóteses de Mads Mikkelsen ("Mais Uma Rodada"), Tahar Ramin ("O Mauritano"), Delroy Lindo ("Da 5 Bloods") e Tom Hanks ("Notícias do Mundo").

Aos 83 anos e 74 dias, Anthony Hopkins também faz história com a sétima nomeação na carreira: além de ser o único repetente do ano passado, quando foi nomeado como secundário por "Dois Papas", tornou-se o nomeado com mais idade na corrida para Melhor Ator (o recorde era de Richard Farnsworth, que tinha 79 quando concorreu com "Uma História Simples" em 1999).

Também a categoria de Melhor Atriz não teve surpresas: além de Viola Davis ("Ma Rainey") e Frances McDormand (“Nomadland”), eram consensuais Carey Mulligan (“Uma Miúda com Potencial”), Vanessa Kirby (“Pieces of a Woman”) e Andra Day "“Estados Unidos vs. Billie Holiday”). As más notícias incluíram aqui principalmente Rosamund Pike (“Tudo Pelo Vosso Bem”), Zendaya ("Malcolm & Marie"), Michelle Pfeiffer (“French Exit”) e Amy Adams ("Lamento de uma América em Ruínas").

Com quatro nomeações, Viola Davis torna-se a atriz negra mais nomeada na história das estatuetas.

Daniel Kaluuya e LaKeith Stanfield (“Judas e o Messias Negro”), Leslie Odom, Jr. ("Uma Noite em Miami..."), Sacha Baron Cohen (“Os 7 de Chicago” e também nomeado pelo Argumento Adaptado de "Borat, O Filme Seguinte") e Paul Raci ("Som do Metal") concorrem para Ator Secundário. Falharam as previsões para uma segunda nomeação de Chadwick Boseman ("Da 5 Bloods") e ainda Jared Leto (“As Pequenas Coisas”), Alan Kim (o miúdo de "Minari") ou Bill Murray (“On the Rocks”).

A categoria de Atriz Secundária, a mais instável nas nomeações na temporada de prémios, acabou por se revelar, afinal, mais previsível: concorrem Maria Bakalova ("Borat, O Filme Seguinte"), Olivia Colman ("O Pai"), Glenn Close ("Lamento de uma América em Ruínas"), Amanda Seyfried (Mank") e Youn Yuh-jung (a avó de "Minari"), estando de fora Jodie Foster ("O Mauritano"), Helena Zengel ("Notícias do Mundo") ou Elle Burstyn ("Pieces of a Woman).

Neste grupo, Glenn Close destaca-se por arrecadar a oitava nomeação na carreira desde 1982 (nunca ganhou), mas também pela "proeza" de estar nomeada pelo mesmo filme tanto para os Óscares como para os Razzies (os prémios para os piores), o que não acontecia desde que Amy Irving concorreu com "Yentl" em 1983.

Melhor Filme Internacional com um claro favorito

Mais uma Rodada

Na categoria de Melhor Filme Internacional, de onde Portugal volta novamente a estar ausente, o grande favorito à vitória é “Mais Uma Rodada”, pela Dinamarca, que conquistou uma nomeação inesperada para Melhor Realização para Thomas Vinterberg.

É o país com mais histórico de nomeações entre os cinco candidatos, com 12 nomeações que levaram a três vitórias: “A Festa de Babette”, “Pele, o Conquistador” e “Num Mundo Melhor”.

À 36ª tentativa, a Roménia conseguiu finalmente a primeira nomeação ao Óscar nesta categoria por “Collective”, que também acumula com a de Melhor Documentário de Longa-Metragem.

Já à sétima tentativa, a Tunísia também chegou à primeira nomeação, com “The Man who Sold his Skin”, de Kaouther Ben Hania.

Hong Kong conseguiu a terceira nomeação por “Better Days”, de Derek Tsang (após as nomeações de “Esposa e Concubinas” e “Adeus, Minha Concubina” na década de 19990) e a Bósnia-Herzgovina a segunda por “Quo Vadis, Aida?”, de Alexander Nanau, tendo ganho efectivamente o Óscar em 2001 com “Terra de Ninguém”.

Nenhum destes filmes conseguiu entrar na corrida para Melhor Filme, pelo que não se irá repetir o fenómeno histórico de "Parasitas" no ano passado.

Animações sem surpresas

Soul - Uma Aventura com Alma

Na categoria de Melhor Longa-Metragem de animação, não houve quaisquer surpresas nem apostas fora da caixa, com a Pixar a conseguir duas nomeações (“'Bora Lá” e “Soul - Uma Aventura com Alma”, o favorito à vitória, que acumula nomeações para Melhor Banda Sonora e Melhor Som), e as restantes três a irem para o muito elogiado “Wolfwalkers”, do irlandês Cartoon Salon e lançado pela Apple, “Para Além da Lua”, do oscarizado Glen Keane, pela Netflix, e “A Ovelha Choné O Filme: A Quinta Contra-Ataca”, da britânica Aardman Animations.

Na categoria de Curtas-Metragens de Animação, a Pixar é o único representante dos grandes estúdios norte-americanos, com “Burrow”, com os restantes quatro filmes a virem da arena independente e com assinalável percurso pelos festivais, com “If Anything Happens I Love You” a ter maior visibilidade por ser divulgado pela Netflix.

De fora ficou “Kapaemahu”, que tinha como diretor de animação o português Daniel Sousa, que fora nomeado em 2014 por “Feral”, que ele próprio realizou.

Portugal? Ainda não foi este ano

Ao contrário do ano passado, quando "Tio Tomás - A Contabilidade dos Dias", de Regina Pessoa, chegou à “short-list” de 10 candidatos para Melhor Curta-Metragem de Animação, e "Klaus", onde trabalharam portugueses, chegou à nomeação para o Óscar de Melhor Filme de Animação, o interesse "nacional" no anúncio das nomeações foi muito menos especial.

A única esperança de "representação" portuguesa e que acabou por não se confirmar residia na mesma categoria do americano "Kapaemahu": com realização de Hinaleimoana Wong-Kalu, Dean Hamer e Joe Wilson, o trabalho conta com a direção de animação de Daniel Sousa.

Nascido em Cabo Verde em 1974 e radicado nos EUA há muitos anos, viveu em Portugal até à adolescência e mantém a nacionalidade. O também realizador até já esteve na corrida às estatuetas em 2014, na mesma categoria, com "Feral".

Pelo caminho já ficara "Vitalina Varela", de Pedro Costa, ausente dos finalistas para o Óscar de Melhor Filme Internacional, aumentando para 37 o recorde negativo de Portugal como o país que mais vezes submeteu candidaturas sem chegar às nomeações.

Aconteceu o mesmo com o candidato da Palestina, "Gaza, mon amour", dos irmãos Tarzan Nasser e Arab Nasser, que contou com coprodução portuguesa.

A situação não correu melhor na lista dos 10 finalistas para a categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação, com a ausência de "Altotting", uma co-produção internacional em que estava incluída a produtora portuguesa Ciclope Filmes e contou com a cineasta Regina Pessoa na direcção artística e de animação; "Elo", de Alexandra Ramires, produzido pelo estúdio Bando à Parte e co-produzido pelo estúdio Providences (França); e "Purpleboy", de Alexandre Siqueira, também da Bando à Parte e co-produzido por estúdios belgas e franceses.

A cerimónia dos Óscares terá lugar a 25 de abril.

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