A responsável foi hoje ouvida na comissão parlamentar de Cultura e Comunicação, no âmbito da sua cooptação para o CGI, órgão, que entre outras funções, fiscaliza e indigita o Conselho de Administração da RTP.

Questionada sobre as audiências, Manuela Melo salientou que "o Serviço Público de Rádio e de Televisão não se cumpre se não tiver audiências, por isso, a RTP tem obrigação de estar em multiplataformas".

Destacando que os conteúdos devem ser de "grande qualidade", considerou positivo que esteja "vedada" à RTP "a utilização de algumas formas como hoje se consegue facilmente audiências".

Sobre o financiamento, disse ser "muito importante que exista uma taxa para o audiovisual e verbas vindas diretamente do OE".

"Defendo claramente a taxa sobre o audiovisual [CAV], embora não exclua a obtenção de outras receitas próprias (...) sobretudo da comercialização de conteúdos, da prestação de serviços ligados ao valor patrimonial da empresa, que é enorme e de grande interesse a nível nacional", referiu.

"Receitas sim, mas aquelas que não tragam novas dependências", sublinhou.

Manuela Melo disse ainda que vai estar atenta ao funcionamento das capacidades e responsabilidades que serão dadas aos centros regionais e ao centro de produção do Porto.

Destacou ainda o facto do CGI apresentar-se como "paritário", comungando da mesma posição de Leonor Beleza, que hoje também foi ouvida devido à sua indigitação para o órgão.

Manuela Melo nasceu em Viseu em 1945, foi jornalista da RTP entre 1973 e 1990, tendo posteriormente sido vereadora da Câmara do Porto por 12 anos.

Foi cofundadora e professora da Escola de Jornalismo do Porto e deputada na Assembleia da República entre 2002 e 2010.

Manuela de Melo completou o órgão, depois de Alberto Arons de Carvalho, indigitado pelo Governo, e Leonor Beleza, indicada pelo Conselho de Opinião da RTP.

Cessaram o mandato o presidente do CGI, António Feijó, Diogo Lucena e a Simonetta Luz Afonso.

Agora, Manuela de Melo, Leonor Beleza e Arons Carvalho juntam-se aos três membros atuais do CGI: os professores catedráticos Helena Sousa e José Vieira de Andrade e o diplomata Francisco Seixas da Costa.

Com a equipa completa, proceder-se-á à eleição do novo presidente do CGI.

O CGI terá entre os seus dossiês a escolha da forma como será escolhido o novo Conselho de Administração da RTP.

A equipa de gestão atual, liderada por Gonçalo Reis, termina o mandato no final deste ano.

O Conselho Geral Independente foi criado em 2014, pelo ministro da tutela Miguel Poiares Maduro, e é composto por seis membros, um presidente e cinco vogais, e o seu mandato tem duração de seis anos.

Dos seis elementos, dois são designados pelo Governo, dois pelo Conselho de Opinião e os restantes dois cooptados pelos quatro anteriores.

O modelo de funcionamento do CGI prevê um mandato de seis anos, com a substituição de três dos seis elementos a meio do mandato.

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