Woody Allen voltou a dizer que é inocente no caso em que é acusado de ter abusado sexualmente da sua filha adoptiva Dylan Farrow em 1992 durante o programa "CBS Sunday Morning".

A rara entrevista ficou disponível pela primeira vez no domingo (28) na plataforma de streaming Paramount+, mas foi gravada em julho de 2020.

A CBS diz que é a mais aprofundada à frente das câmaras que o realizador deu em quase 30 anos e ainda que o anteceda, aborda temas do documentário "Allen V. Farrow", lançado pela HBO em fevereiro.

Apesar dos processos terem sido arquivados depois de duas investigações em separado, a imagem do realizador deteriorou-se, principalmente nos EUA, quando Dylan renovou as acusações no início de 2018, após o movimento #MeToo.

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A entrevista não apresenta qualquer revelação nova, nomeadamente sobre as alegações de abuso feitas por Dylan Farrow.

"Acredito que ela pensa isso. Era uma boa criança. Não acredito que ela esteja a inventar. Não acredito que ela esteja a mentir. Penso que ela acredita nisso", contou na entrevista de domingo.

“É tão absurdo, mas a mancha ficou. E as pessoas ainda preferem agarrar-se, se não à ideia de que abusei de Dylan, à possibilidade de a ter abusado. Nada do que alguma vez fiz com Dylan na minha vida pode ser assim mal interpretado. À superfície, não havia lógica nisso. Por é que um tipo que tem 57 anos e nunca acusado de nada na minha vida, de repente desloco-me durante uma disputa contenciosa de custódia à casa de campo de Mia [com] uma menina de 7 anos. Simplesmente, à superfície acho que nem precisa de qualquer investigação", proclama.

Woody Allen ainda mantinha a relação com Mia Farrow quando esta descobriu que tinha outra com a sua filha adotiva, Soon-Yi.

O realizador comenta que nunca teve intenção de magoar ninguém e que pretendiam acabar por revelar o que se estava a passar.

"Nunca houve um momento em que não fosse a coisa mais natural do mundo... não me fez hesitar porque a relação com Soon-Yi foi muito gradual. Não foi do género que fui sair com ela uma noite e a beijei", acrescentou.

Apesar das relações entre homens mais velhos com mulheres jovens que surgem em muitos dos seus filmes, algo abordado no documentário "Allen V. Farrow", Allen diz que estes não espelham a sua vida.

"Diria que das muitas mulheres com quem namorei na minha vida, elas eram todas o que a polícia apropriada consideraria apropriado - idade apropriada. Diane Keaton, Mia Farrow, Louise Lasser, a minha primeira esposa; até à Soon-Yi, o que foi invulgar para mim".

Allen, com 85 anos, e Soon-Yi, agora com 50, estão casados há 23 anos e criaram duas filhas adotivas que frequentam a universidade.

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