A reabertura no Cais do Gás, mesmo junto ao rio Tejo, próximo da estação ferroviária do Cais do Sodré e do cais fluvial, esteve inicialmente prevista para junho, mas o novo espaço criado de raiz para os dois clubes históricos que ‘moravam’ naquela que é mais conhecida como ‘rua cor-de-rosa’, sofreu alguns atrasos nas obras, abrindo dia 30 de setembro.

Em declarações à agência Lusa, Fernando Pereira, sócio da estrutura dona do Tokyo e do Jamaica, e arquiteto que assinou o projeto explica que as obras decorreram “como qualquer obra, com alguns contratempos” que fizeram adiar um pouco a reabertura dos dois clubes, fechados desde março de 2020 devido à pandemia da COVID-19.

“Podia ter sido em agosto, mas a maior parte do pessoal está de férias, está tudo a meio gás, pelo que preferimos fazer as coisas com calma e não no ar. Abrimos agora na chamada ‘rentrée’”, adianta.

A pandemia alterou um pouco a gestão da empreitada, já que os dois clubes, juntamente com o Europa (que não vai abrir ainda), iriam deixar os espaços na Rua Nova do Carvalho apenas quando as novas casas estivessem prontas, havendo uma continuidade e não um interregno, como acabou por acontecer.

Em 2021, ano em que o Jamaica fez 50 anos, terminou um longo processo que teve início em outubro de 2015, após uma denúncia do contrato de arrendamento por parte dos senhorios.

Os espaços continuaram a funcionar até março de 2020, quando tiveram de encerrar portas devido ao primeiro confinamento, isto depois de em dezembro de 2018 terem tido a garantia de que teriam um novo espaço disponibilizado pelo município.

Fernando Pereira promete agora “as noites de sempre, com inovação e sustentabilidade”, já que os espaços tiveram em conta questões ambientais, com o AVAC (sistema de aquecimento, ventilação e ar condicionado) a renovar 100% o ar interior com o ar fresco da noite, além da troca de papel nos sanitários por secadores de mãos, entre outros.

O responsável lembra também que as novas torneiras elétricas vão reduzir o consumo de água nas casas de banho e vão ser instalados painéis solares e baterias, nos 300 metros quadrados da cobertura de forma a reduzir o consumo de energia.

“Há uma grande preocupação, não só com as questões de barulho, que por lei têm de ser cumpridas, mas também uma série de outras. Assumimos também que não haverá plástico nas noites do Jamaica e do Tokyo, com copos reutilizáveis e palhinhas em canudo de junco”, exemplifica.

Apesar de serem espaços novos, Fernando Pereira garante que quando as pessoas entrarem, sobretudo no Jamaica, vão “sentir-se mesmo no Jamaica”, conhecido por passar clássicos de rock, pop e reggae, e, apesar de ter o dobro da capacidade, cerca de 300 clientes, terá uma parede que se desloca, tornando a pista de dança com geometria variável, pelo que “promete um ambiente acolhedor mesmo nas noites mais calmas”.

O Tokyo vai ter um palco “maior e mais alto mas ainda quase ao nível do solo”, para manter a mesma proximidade entre público e músicos, “mantendo o ambiente íntimo que já existia” e de que as bandas “tanto gostavam, pela proximidade ao público”, explica Fernando Pereira.

A programação vai estar a cargo de Fred Martinho (HMB) e Rui Pedro Pity (The Black Mamba), dando continuidade à aposta em novos projetos e na diversidade de géneros musicais, enquanto no Jamaica o DJ residente irá continuar a ser Bruno Dias e mantém-se todo o pessoal, que conseguiu "aguentar através do 'lay-off'".

Os espaços vão ter uma entrada única, quem entrar vai aceder ao Jamaica ou ao Tokyo, ou ambos, sem qualquer restrição. Depois, sem ter que sair para a rua, as pessoas conseguem ter um espaço para poderem fumar, para confraternizar no exterior sem o barulho da música, contou Fernando Pereira.

Uma das novidades será também a relação entre os dois espaços e galerias e artistas, onde vão ser apresentados trabalhos variados, que para já, no exterior, são do patrocínio do coletivo “In The Light Of Day”, enquanto, no interior, a intervenção inicial é da responsabilidade de “The Caver”.

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