“É uma apresentação dos incidentes, problemas e oportunidades de vários grupos identitários do concelho, contados pelas próprias pessoas que os vivem no seu meio”, disse à agência Lusa o autor e encenador Rui Catalão.

O espetáculo pretende trazer para a atualidade as cortes gerais dos séculos XIII e XV, onde o clero, nobreza e povo se reuniam durante um mês e, no final, faziam as suas petições.

“No fundo, as cortes são uma forma de perceber o que se está a passar com a comunidade, ou seja regressar ao espírito das cortes originais, uma ocasião em que o rei auscultava os representantes das diversas regiões do país e as propostas e petições de acordo com as suas necessidades”, indicou.

Nas “Cortes de Faro” participam grupos e associações culturais e de apoio social, entre as quais Refood, Moto Clube, Universidade do Algarve para a Terceira Idade, Associação de Moradores da Ilha da Culatra, Sociedade Recreativa Bordeirense, Associação de Saúde Mental do Algarve e Grupo de Ajuda a Toxicodependentes (GATO).

Segundo Rui Catalão, o projeto começou a ser trabalhado no verão e foi sendo adaptado devido à situação da pandemia de COVID-19, “porque é uma situação que influencia a sociedade e a vida das pessoas”.

“Infelizmente, não vamos poder contar com a participação de alguns grupos, nomeadamente os considerados de risco, o que obrigou a uma readaptação constante do espetáculo. Não se estava a prever propriamente o que iria acontecer, mas sabia-se que existia uma possibilidade alta que condicionasse a participação das pessoas”, lamentou.

O espetáculo “Cortes de Faro” vai assentar essencialmente num diálogo entre o encenador e os representantes dos grupos identitários, “que tem a ver com o modo de vida, problemas que enfrentam e com aquilo que querem para a comunidade”.

“As pessoas apresentam aquilo que é a sua vida e apontam para alguns aspetos do que acham que pode ser feito dentro da sua comunidade, sendo que em muitos casos já estão a fazê-lo através do próprio movimento associativo em que estão envolvidas”, sublinhou.

Na opinião de Rui Catalão, a peça “é uma oportunidade de se chamar coisas da vivência do dia-a-dia da sociedade a público, porque o teatro, acima de tudo, é um palco com um potencial enorme de espaço de reunião das pessoas”.

“No fundo, as pessoas no placo estão a convocar o público para uma série de temas que, provavelmente, por qualquer razão, não abordam na vida pública. Esta é uma oportunidade para o fazerem dentro da comunidade”, concluiu.

O espetáculo tem estreia marcada para sexta-feira, às 19h30, no Teatro das Figuras em Faro.

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