João Paulo Cotrim morreu este domingo, 26 de dezembro, aos 56 anos. O jornalista, escritor, guionista, editor e crítico encontrava-se internado no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, assinala o jornal Público. O Jornal de Notícias confirmou que Cotrim foi vítima de COVID-19 e a Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas já lamentou a morte nas redes sociais:

Nascido em Lisboa a 13 de março de 1962, teve um percurso marcado pela divulgação da banda desenhada e foi fundador da Bedeteca de Lisboa, que dirigiu desde a sua abertura, em 1996, até 2002. Fundou ainda as editoras Abysmo e Arranha-Céus, tendo criado também a revista LX Comics. Destacou-se também enquanto coordenador do projeto Gulbenkian/Casa da Leitura e consultor do Centro Cultural de Belém para a programação literária.

João Paulo Cotrim foi colaborador da RTP, SIC, TSF, Renascença, Expresso, Visão, O Independente, Magazine Artes, Cosmopolitan, Der Spiegel ou Le Monde, além de coordenador editorial da revista Ler e editor de ficção e ensaio da Ícon. Na sua vasta obra encontram-se novelas gráficas (“Salazar – Agora, na Hora da Sua Morte”), ficção (“O Branco das Sombras Chinesas”, com António Cabrita), ensaios (“Stuart – A Rua e o Riso” ou “El Alma de Almada El Ímpar” – Obra Gráfica 1926-1931), aforismos (“A Minha Gata”), poesia (“Má Raça”, com Alex Gozblau) e histórias para a infância (“Querer Muito”, com André da Loba ou "A História Secreta de Pedro e o Lobo", com João Fazenda). Entre os guiões de filmes de animação que assinou contam-se "Algo Importante" (2009) e "Um Degrau Pode Ser o Mundo" (2009).

João Paulo Cotrim foi ainda professor no Ar Co, no departamento de Ilustração e BD, bem como no IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação, e colaborou no Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB). Foi também diretor do Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada durante quatro edições e responsável pela sua programação e os catálogos Geral e da mostra Ilustração Portuguesa.

No seguimento do confinamento imposto pela pandemia de COVID-19, criou, em 2020, “Torpor. Passos de voluptuosa dança na travagem brusca”, uma revista digital gratuita criada e disponibilizada pela Abysmo. A edição procura captar o efeito que a crise pandémica e o confinamento tiveram "tanto nas artes como na vida", uma iniciativa que não foi planeada previamente, “resultou de sucessivos diletantes passeios pelas redes”, nas quais João Paulo Cotrim descobriu um mundo que palpitava criação artística, contou o editor à Lusa, em maio do ano passado.

O romance “O Plantador de Abóboras”, do escritor timorense Luís Cardoso, que venceu o Prémio Oceanos 2021, que anualmente destaca as melhores obras publicadas em língua portuguesa, foi um dos livros editados pela Abysmo. A 8 de dezembro, o escritor, que reside em Lisboa, dedicou o galardão ao seu editor, João Paulo Cotrim, assinalando já então que se encontrava doente.

João Soares, antigo presidente da Câmara de Lisboa, homenageou o amigo nas redes sociais. André Carrilho, Alexandra Lucas Coelho, José Teófilo Duarte e Bárbara Bulhosa, entre outros, também assinalaram a partida.

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