Entre violinos, violoncelos, contrabaixos, um piano, uma harpa, umas quantas flautas, oboés, clarinetes, fagotes, trompas, um trompete, um trombone e uma série de instrumentos de percussão, a Lisbon Film Orchestra voltou a encher o Tivoli para uma noite mágica durante a qual nos levou a viajar por algumas das mais marcantes bandas sonoras da Sétima Arte.

É em ocasiões como esta que nos relembramos da importância dos sentidos, em particular, da audição. Ver um filme sem som faz-nos perder muitos momentos: da respiração das personagens à música que acompanha uma cena de suspense, até ao clímax. Talvez por termos isso tão presente, tenhamos dado uma atenção redobrada à primeira música do alinhamento carinhosamente preparado. “Lord Of The Rings”, a canção do “Senhor dos Anéis” é uma das mais longas e mereceu também uma das mais longas ovações da noite. Com diferenças sonoras tão subtis, leva-nos do topo da montanha ao nascer de um novo dia; de um tom sinistro a uma festa, de uma guerra a sons que se assemelham a passos, assobios; tudo acompanhado pelas imagens da personagens mais queridas do Shire, de Legolas a Gandalf, de Frodo a Gollum...

Com o final da música, chegou o humorista Carlos Moura que, mais uma vez, deu a cara como anfitrião dos magníficos espetáculos da orquestra. «Para os que caíram na esparrela de estarem aqui hoje, a minha sugestão é simples: divirtam-se!». Foi ao som de “Be Our Guest”, que o descontraído Lumière nos cantou em ”A Bela e o Monstro”, que o humorista nos presenteou com um número musical, ainda que tenha admitido não saber cantar. Após umas quantas piadas, uma discussão com o maestro e rimas a menos, Carlos chamou ao palco Ricardo Soler e Anabela Pires para interpretarem “You’re the One”, a música de “Grease”. O cantor entrou pouco confiante e o dueto deixou a desejar – nem mesmo os enérgicos bailarinos nos puderam distrair da insegurança de Soler.

Novo interlúdio e o humorista aproveitou, desta vez, para se dirigir ao público, a David, estudante de mestrado de eletrotecnia, e Rebeca, a sua namorada, estudante de mestrado de guerras de informação. «Isso é giro. As pessoas escondem-se atrás das trincheiras e gritam: “Lá vai um Expresso”. E como é que sabemos onde estão os inimigos? Andamos informados”.»

Foi com “Fora do Mar”, a versão portuguesa de “Part Of Your World”, d’”A Pequena Sereia”, e um vestido azul, que Anabela regressou ao palco para nos levar até ao fundo do oceano, até junto da princesa que sonhava ter pernas. Seguiu-se “Phantom of the Opera”, acompanhado por uma coreografia que juntava o Fantasma a Christine. Os bailarinos rodopiaram e embelezaram a fantástica prestação da orquestra. Porém, a bailarina mostrou-se menos graciosa neste número com uma expressão demasiado dura.

“Tomorrow Never Dies”, foi o tema do mais famoso agente do MI-6, escolhido para interpretação e Lúcia Moniz subiu ao palco com um enorme sorriso cumprimentando o público e a orquestra.

«A seguir vamos ouvir uma música de um filme que eu tentei convencer o meu pai a ir ver ao cinema. Mas ele disse: “filho, já sabes que só vejo documentários estrangeiros”. Convosco, Henrique Feist e “Empty Chairs” d’”Os Miseráveis”». O vencedor do Globo de Ouro, subiu ao palco e deliciou-nos com a sua voz grave e o seu timbre tão característico. Com um ar teatral e sofrido, uma marcha dos franceses ao ritmo dos instrumentos, imagens de Hugh Jackman e Eddie Redmayne, o tempo passou a voar e Lúcia Moniz regressou ao palco. À semelhança do ano passado, os dois cantores partilharam o dueto de “Moulin Rouge”, “Come What May” que deu ainda mais gosto ouvir pela harmonia das vozes dos dois.

De “An American in Paris”, chegou-nos “I got rhythm” e, mais confiante, Ricardo Soler tomou conta do palco, entoando a animada canção. Tão animada que, mesmo antes de subirem ao palco para uns passos de charleston, os dançarinos gingavam a anca e abanavam o ombro. De saia na mão, movimentando-a ao ritmo da música, de sorriso no rosto, a bailarina encantava.

E, ainda que o cantor se tenha redimido, o melhor estava ainda por vir. A Soler, juntou-se Lúcia Moniz. Os dois, numa cumplicidade e teatralidade espantosa, dividiram um medley de músicas românticas e fizeram soltar sorrisos por toda a sala. Em tom de canção de engate, dança e contradança, os dois receberam uma das maiores ovações da noite.

À belíssima “Adagio Barber” seguiu-se “Quando Acreditas…”, a música d’”O Príncipe do Egito”, que viu a sua magia intensificada nas vozes de Anabela Pires, Lúcia Moniz e o coro de raparigas que, no segundo terço da canção, tomou lugar no palco trocando tímidos olhares com as cantoras.

Carlos Moura chamou então o maestro, Nuno de Sá; o produtor executivo, Francisco Santiago; todos os cantores e os bailarinos e todos se despediram perante uma chuva de aplausos. Afinal, «tudo o que é bom chega ao fim, não é verdade?». Houve ainda tempo para um animado “Mambo”, onde todos os violinos se levantaram e gritaram “MAMBO!” e, para o encore, ficou reservado, mais uma vez, o tema dos “Piratas das Caraíbas”. Uma melodia que nos leva até à Terra do Nunca, nos lembra aventuras, canhões, tempestades e calmarias e o icónico Jack Sparrow.

Assistir a espetáculos destes – ainda para mais com convidados especiais – é sempre uma experiência incrível pela qual todos os amantes de música – e de cinema! – deveriam passar. Atentar quem pousa o instrumento, quem muda do prato para o bongo, prestar atenção quando entram os instrumentos de sopro, distinguir cada som e viajar por décadas de cinema sem sair do Tivoli é um privilégio. Ontem já passou mas mais logo há uma segunda dose de magia trazida de um modo especial por uma orquestra ainda mais especial.

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