“O contexto base desta obra – a reunião de uns jovens numa moradia nos arredores de Florença, durante a qual contam uns aos outros histórias para se entreterem enquanto a peste assola a cidade – inspirou Vargas Llosa a construir uma peça de teatro em torno do desejo baseada em oito dos contos de Boccaccio”, lê-se no comunicado enviado à Lusa pelas Publicações D. Quixote que chancelam a obra.

“O humor, o poder da imaginação, o amor – desde o idealizado amor cortês até ao mais carnal – e as relações entre classes sociais são as chaves desta obra que congrega a essência do espírito do Decamerón: a luxúria e a sensualidade exacerbadas pela sensação de crise, de abismo aberto, de fim do mundo”, remata a editora portuguesa.

O livro “Os contos da peste” foi traduzido por Maria do Carmo Abreu.

Mario Vargas Llosa nasceu em 1936, em Arequipa, no Peru e atualmente tem dupla nacionalidade, peruana e espanhola, tendo recebido vários prémios literários internacionais, entre eles, o Prémio P.E.N./Nabokov, o Cervantes, o Príncipe das Astúrias e o Grinzane Cavour.

Em 2010, foi distinguido com o Prémio Nobel de Literatura pela “sua cartografia das estruturas de poder e pelas imagens pungentes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos”, segundo a mesma fonte.

Dos seus títulos refira-se “A cidade e os cães”, que lhe valeu o Prémio Biblioteca Breve, em 1962 e o da Crítica Espanhola, em 1963).

“A casa verde”, com o qual recebeu o Prémio Nacional de Romance do Peru, o da Crítica Espanhola, e Rómulo Gallegos em 1967 e 1968, “Conversa n’A catedral” (1969), “Pantaleão e as visitadoras” (1973), “A tia Julia e o escrevedor” (1977), “A guerra do fim do mundo” (1981), ao qual foi atribuído em 1985 o Prémio Ritz-Hemingway, “História de Mayta” (1984), “Quem matou Palomino Molero?” (1986), “Elogio da madrasta” (1988), “Lituma nos Andes”, distinguido com o Prémio Planeta, em 1993), “Cartas a um jovem romancista” (1997), e “Travessuras da menina má” (2007), são outros.

O escritor recebeu em julho de 2014 o título de “Doutor Honoris Causa” da Universidade Nova de Lisboa.

Na ocasião o poeta Nuno Júdice afirmou que Vargas Llosa “vai além da sua pátria, a que sempre se dedicou, nomeadamente quando, num momento difícil, foi candidato à Presidência do Peru", acrescentando que “os romances do escritor são imprescindíveis para conhecermos a História do continente sul-americano, os seus conflitos e a sua sociedade”.

Mario Vargas Llosa por seu turno, alertou para os perigos da “sociedade do espetáculo” que vivemos e a ditadura da tecnologia, tendo defendido uma literatura que “mantenha o espírito crítico, sem a qual desapareceria a liberdade”.