Anitta já é uma estrela global: o single "Envolver" fez dela neste mês a primeira brasileira a alcançar o primeiro lugar mundial do Spotify, um marco que a cantora garante à AFP ter alcançado com base no "trabalho de uma formiguinha".

O seu grande sucesso cantado em espanhol é um reggaeton lançado em novembro, que se tornou viral nas redes sociais graças a uma coreografia com claras alusões sexuais que só no TikTok deu origem a mais 1,4 milhão de vídeos de anónimos e famosos que tentaram imitar os movimentos da cantora.

Espontânea, determinada e com clara visão de negócios, Anitta cresceu num bairro humilde do Rio de Janeiro e conquistou a cena pop brasileira desde seu primeiro álbum, editado em 2013.

Anos depois, traçou um plano de entrada no mercado internacional, que incluiu a mudança para os Estados Unidos e a gravação de inúmeras colaborações, principalmente em inglês e espanhol, com artistas como Snoop Dogg, Cardi B, Becky G, Maluma, entre outros.

"A nossa cultura está a ser notada. As mulheres latinas também estão a chegar ao topo", disse a cantora, em entrevista concedida por e-mail enquanto ensaiava a sua apresentação no festival Coachella (Califórnia, Estados Unidos).

Como se está a sentir ao ver “Envolver” no topo das músicas mais ouvidas no mundo? Esperava que ela fosse ter tamanho sucesso?

Estou plena. Feliz. Realizada. A gente tem sempre esperança, né? Mais do que ninguém, eu apeguei à 'Envolver' e acreditei nela desde o início. Via que ela tinha muito potencial.

A primeira brasileira no top 1 do Spotify: o que isso significa para Anitta, para o Brasil e para a música latina?

Significa que a nossa cultura está a ser notada. Que as mulheres latinas estão também a chegar ao topo global. Isso é incrível.

Poderia apontar um antes e depois na sua carreira internacional? Ou foi mais um trabalho constante, de “formiguinha”?

Totalmente de formiguinha. E continua a ser. Trabalhamos anos e anos para que aos poucos as coisas fossem acontecendo. Passou muita água debaixo da ponte, como dizemos aqui no Brasil.

Como vê o facto de ter alcançado o top 1 com uma música em espanhol, sendo uma cantora brasileira? Acha que poderia ter conseguido a mesma expressão com uma música em português? 

O meu público brasileiro adora quando canto em outras línguas. Então, essa questão de ser brasileira e fazer sucesso a cantar em outros idiomas, como já aconteceu em francês e italiano, não é um problema. Mas é claro que para o mercado da música, línguas como espanhol e inglês fazem toda diferença. Pretendo continuar a fazer músicas para cada território sim. Em português com certeza!

De 2018 até hoje, vem-se posicionando cada vez mais frontalmente contra o governo de Jair Bolsonaro. Porque acha importante se posicionar politicamente? Quais mudanças deseja para seu país?

Posiciono-me como cidadã e como artista. Continuarei a fazer isso independentemente de quem seja o governo atual. Se não estiver bom, estarei lá a dar a minha opinião. Na atual conjuntura, o Brasil precisa de muitas mudanças, a começar pelo governo.

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