Ele já andava nas bocas do Crato desde o lusco-fusco, de cada uma das vezes que os mais empolgados trauteavam os seus refrães. Mas foi só por volta da uma e meia da manhã que o desejo daqueles se concretizou. A 911 Band subiu primeiro para prefaciar a primeiríssima vez de Richie em solo cratense. O livro aberto. Primeiro capítulo: "Medley".

Pode-se esperar tudo de Richie Campbell, exceto uma coisa: complacência. Não se põe com egocentrismos ou avarezas, até porque ele próprio confessa: «o concerto é 50% meu e 50% vosso». Mas também não está para meias medidas. É gentilmente implacável para com quem o vem ver. Rege-se pela máxima do "só faz falta quem cá está". E, nesse sentido, quem está, tem que se fazer ouvir, ver e sentir. Com Richie Campbell não se viu uma alminha a bocejar, não se viu um pé criar raízes ou um braço ganhar ferrugem, nem foram muitos os penteados poupados.

Vou arriscar dizer que, se pudesse, teria feito uma ligeira alteração no alinhamento. Eu explico: "911" só chegou já perto do fim. Ora, nesta altura já era demasiado tarde para socorrer as moçoilas histéricas à beira do desmaio ou, pelo menos, da quebrazinha de tensão. Felizmente tudo acabou em bem. Sim, porque Richie Campbell não é histérico, mas sabe como conduzir os outros até lá. Eletrizante, irrequieto, plasticina em palco. Este homem faz em palco o fitness que eu almejo fazer num mês. O fosso que separava a banda da plateia foi-se dissipando. O histerismo teve a sua utilidade. O público teve sempre o microfone ao seu dispor. E não houve ensaios.

"Everytime I Cry" foi enleada com o afamado verso "Oh-oh here she comes" do tema "Maneater", de Daryl Hall & John Oates. Em "Get with you" e "Love story", a pedra dos isqueiros foi ferida e a atmosfera esquentou, muito por culpa dos solos aventureiros protagonizados por Vânia, a quem Richie Campbell confiou a chefia do palco durante "Love is an addiction". Claro que, à medida que o adeus se avizinhava, a dúvida sobre se "Blame it on me" e "That´s how we roll" ainda chegariam, enervava muitos, especialmente os de cartaz na mão e os instalados nos ombros de outros (quais mártires).

Saiu do palco. Ouviu as súplicas gritadas do outro lado. E voltou. Richie fez a vontade ao Crato e o Crato, de facto, culpou-o inteiramente por ter dado espetáculo à séria. Mas, alto lá: «Não posso admitir que vocês vão para casa menos cansados do que eu!». Ele diz, está dito. O Crato é a pilhas recarregáveis. Dura. Dura. Dura.

Fotos por: Débora Lino

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