“’Shakespeare is Whaaat?’ define um pouco o que estamos a tentar fazer, que é perceber o que é [William] Shakespeare. E é o que vamos fazer ao longo de quatro atividades que estão programadas até ao final do ano”, disse Roberto Terra, na sexta-feira, na sessão de apresentação do projeto.

Assim, continuou, a companhia quer “perceber como é que este nome, que dispensa apresentações, sobrevive a 400 anos”, através de oficinas, de um percurso pelo centro histórico de Viseu, espetáculos com alunos e uma residência artística, que também se vai debruçar sobre a arte ‘drag’, e que termina com uma apresentação ao público.

A agenda começa em julho com as oficinas dedicadas à escrita, às artes plásticas, à voz e leitura e à improvisação e criação (para participar, é necessária a inscrição, através das redes sociais da ArDemente).

“As oficinas são o pontapé de saída, porque queremos, com este projeto, criar um diálogo permanente com a comunidade artística e não artística de Viseu” através de conversas e sobre o que se faz na companhia, adiantou Emanuel Santos, igualmente participante na sessão.

Além destes dois membros da companhia, são também responsáveis pelo projeto Gabriel Gomes, Vítor Freitas e Héloïse Rego.

Para agosto está programado um percurso pelo centro histórico de Viseu, cidade onde a companhia tem a sua sede, denominado “Andamento 16 16” (o ano de morte de William Shakespeare).

“São uma série de espetáculos/percurso, em que o público vai ouvindo nuns auscultadores a narração de textos de Shakespeare, pela voz de Joana Martins, enquanto imaginamos como seria Julieta encontrar Romeu numa janela manuelina, por exemplo, no centro histórico da cidade [de Viseu], que é tão bonito”, descreveu Emanuel Santos.

A terceira atividade, em outubro, envolve os alunos do terceiro ciclo e do secundário das escolas secundárias Alves Martins e Emídio Navarro, assim como dos agrupamentos de escolas Grão Vasco e Infante Dom Henrique.

“A ‘Bardologia’ são espetáculos/oficinas que vão às salas de aulas, para que o mundo de Shakespeare, o nosso mundo e o mundo das turmas se possam fundir num só, porque todo o universo criado por Shakespeare são inspiração e queremos debater o que está nele”, especificou Emanuel Santos.

A agenda culmina com uma residência artística com os elementos da ArDemente, desenvolvida no mês de novembro, a que a companhia chamou “Call Me Shakes” e que termina com uma apresentação ao público, a 7 de dezembro.

Assim, explicou, a companhia vai, a partir dos textos e da mitologia de Shakespeare, aliar a arte ‘drag’, tendo em conta o que o dramaturgo escreveu, inclusive as personagens femininas, quando as mulheres não representavam, para repensar os dias de hoje.

“Esta relação entre as obras de Shakespeare, o universo ‘drag’ e o universo do transformismo, que está, felizmente, cada vez mais presente na nossa cultura atual, e perceber estas relações das questões de género nas obras de Shakespeare e nos transformismos e como é que se pode aliar nos dias de hoje à arte do teatro”, é o propósito desta atividade, pormenorizou.

Após a residência artística, a companhia ArDemente quer criar um espetáculo para 2023.

Presente também na apresentação de “Shakespeare is Whaaat?”, que tem um apoio de 18 mil euros da Câmara de Viseu, através do programa Viseu Cultura, esteve a vereadora da Cultura, Leonor Barata.

“Realço esta relação entre o clássico e a contemporaneidade. Shakespeare permite-nos isso, porque elas [as suas obras] continuam a questionar-nos hoje” e em que é que nos pode continuar a questionar uma companhia contemporânea, destacou.

A responsável disse ainda que olha para o financiamento autárquico como “um apoio no arranque de um projeto local para crescerem no território nacional e internacional”.

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