“Há aqui um híbrido entre o teatro radiofónico e o teatro teatro. Isto foi um projeto que foi pensado para o som”, declarou Carlos Pimenta, responsável pela conceção e direção da peça “As Três Irmãs”, após o ensaio para a imprensa, referindo que a proposta de levar a obra ao palco passa pela “exploração singular dos sons recorrentes de dramaturgo e médico russo Tchékhov, através dos quais é possível descrever uma dramaturgia sonora que convoca o imaginário do público”.

A ação da peça decorre num estúdio de gravações onde um conjunto de atores gravam “As Três Irmãs”, a obra escrita em 1900 e que propõe uma viagem a uma pequena cidade russa onde três irmãs – Olga, Macha e Irina – sonham em regressar aos seus tempos de juventude, com uma viagem a Moscovo.

Sons de festa, de sinos, de tiros, do bosque ou das carruagens que chegam ou partem são uma constante ao longo da peça, refere Carlos Pimenta, assumindo-se como um “grande entusiasta de Tchekhov”, reconhecendo-lhe uma “dramaturgia de sons”.

“Há imensos sons. […] Curiosamente a maior parte acontecem no exterior, mas que contaminam aquilo que acontece na ação. […] Depois havia também uma personagem, que é o Francisco Leal que tem trabalhado o som no [Teatro Nacional] São João desde sempre. Sempre achei o som no São João muito particular e o trabalho dele [Francisco Leal] muito fascinante e daí associá-lo a este trabalho. É uma ‘joint-venture’ com o Francisco para trabalhar esta questão do som e da oralidade e, portanto é um espetáculo até mais para ouvir - digamos assim -, do que para ver”, conclui Carlos Pimenta.

A peça tem várias leituras possíveis e até fala de uma epidemia de cólera em 1820. O facto de Tchékhov ter sido médico e ter vivido essa epidemia faz também ligar a esse “passado” de epidemias e com que se “[aprenda] com o passado” para os tempos atuais com a covid-19, acrescentou Carlos Pimenta.

A peça é uma coprodução Ensemble - Sociedade de Atores e Teatro Nacional São João.

A peça conta com um elenco composto por Emília Silvestre, Isabel Queirós, Bárbara Pais, Daniel Silva, Margarida Carvalho, Paulo Freixinho, João Cravo Cardoso, José Eduardo Silva, Jorge Mota, João Castro, Clara Nogueira e António Afonso Parra.

Partindo da tradução de António Pescada, o espetáculo tem Francisco Leal na sonoplastia e desenho de som, Ricardo Pinto na música e Rui Monteiro no desenho de luz.

A peça tem a duração de duas horas e 15 minutos, é para maiores de 12 anos de idade e pode ser vista até 16 de janeiro. O espetáculo pode ser visto de quarta a sexta-feira às 19h00 e aos sábados e domingos às 10h30. Os ingressos custam 10 euros.

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