Lançado este mês pela Antígona, que já anteriormente publicara “A sociedade do espetáculo” – um texto situacionista de 1967 e um dos mais célebres e premonitórios do movimento estudantil do Maio de 68 -, este novo livro, “companheiro inseparável” do anterior, “atualiza e confirma, ao fim de vinte anos, as teses de Guy Debord”, refere a editora.

Paralelamente, a Antígona reedita também este mês “A sociedade do espetáculo”, numa nova edição traduzida por Francisco Alves e Afonso Monteiro.

No livro, Guy Debord escreveu que “a alienação do espectador em proveito do objeto contemplado exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo”.

Este ensaio filosófico e político de Guy Debord aponta o espetáculo como “uma droga para escravos” que empobrece a verdadeira qualidade da vida, e que dá “uma imagem invertida da sociedade desejável”.

Mais de vinte anos depois, em 1988, Guy Debord voltou ao mesmo tema para escrever “Comentários sobre a sociedade do espetáculo”, por considerar que o espetáculo se tornara ainda mais irracional e omnipresente do que previra em 1967.

Segundo a Antígona, este balanço do autor – “que passa em revista a mentira e a contrainformação como técnicas para alcançar e manter o poder, a psicologia da submissão das massas, o fenómeno do culto das celebridades — continua a falar alto e bom som, com clarividência, à contemporaneidade em que nos movemos”.

“Ao invés da pura mentira, a desinformação deve fatalmente conter uma certa parte de verdade, porém deliberadamente manipulada por um hábil inimigo”, escreveu então o autor francês, sobre uma realidade que mantém toda a atualidade.

Guy Debord, nascido em 1931, em Paris, foi um escritor marxista francês e um dos pensadores da Internacional Situacionista, de que foi cofundador em 1957, e da Internacional Letrista. Os seus textos foram a base das manifestações do Maio de 68.

Em 1972 dissolveu o movimento que ajudara a fundar.

O escritor suicidou-se em 1994, nas montanhas de Auvergne.

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