Foi a primeira série norte-americana de grande orçamento filmada inteiramente no Japão e está de volta a partir desta quinta-feira para uma segunda temporada. "Tokyo Vice" volta a acompanhar a história de um jornalista americano e um detetive japonês mergulhados no submundo do crime nipónico.

Criada e escrita pelo vencedor do prémio Tony J.T. Rogers e incluindo o cineasta Michael Mann na lista de produtores, a aclamada série protagonizada por Ansel Elgort e Ken Watanabe regressa esta quinta-feira, 8 de fevereiro, com dez novos episódios, mais dois do que a primeira temporada lançada em abril de 2022.

Inspirada no relato em primeira mão do jornalista americano Jake Adelstein sobre a Polícia Metropolitana de Tóquio, publicado no livro homónimo, a segunda temporada da série, filmada em Tóquio, leva-nos a um mergulho mais profundo no submundo do crime da cidade, com Adelstein (Ansel Elgort) a perceber que tanto a sua vida como a de pessoas próximas estão em perigo.

Antes da estreia da série, o SAPO Mag esteve numa conversa virtual com Ansel Elgort e Ken Watanabe - os dois a partir de Tóquio - sobre o que esperar da segunda temporada. E foi inevitável falar da importância de Tóquio e do Japão para a série.

Tóquio como uma personagem da série

Ansel Elgort - Tokyo Vice
Ansel Elgort em "Tokyo Vice"

"Sempre quis fazer algo no Japão, porque vim cá pela primeira vez em 2015 e o visual da cidade era tão espectacular que pensei: ‘a parte visual já está tratada, já vai ser ótima, independentemente da história’", explicou Ansel Elgort.

"Depois, li o livro e achei que tinha tantas histórias interessantes. Adorei a história sobre os criminosos no Japão e a forma como levavam o seu trabalho tão a sério, quer se tratasse da Yakuza ou de criminosos menos organizados. Depois, reunimos uma equipa fantástica. Estou muito grato por termos conseguido fazer a segunda temporada. A segunda temporada encerra a história. Penso que toda a gente vai ficar muito satisfeita com a forma como termina", acrescentou o ator.

"Tokyo Vice" passa-se nos anos 90 e tenta reproduzir o ambiente da época ao detalhe."1990 é uma época diferente. Houve uma grande mudança na sociedade ao longo de 20 ou 30 anos. Não há telemóvel, não há uma grande sociedade da Internet, é uma sociedade que ainda tem sentimentos analógicos, uma mente analógica. Toda a equipa foi muito exigente na pesquisa, para que pudéssemos adaptar-nos às personagens e para que o público pudesse compreender o sentimento da sociedade. Essa é a razão do sucesso da série", sublinha Ken Watanabe.

"O que é ótimo na série é ter uma perspetiva completamente diferente para uma série criminal, de um jornalista olhar para a cultura japonesa. Visitei os EUA, a França e a Itália no ano passado e muitas pessoas me perguntaram quando iam poder ver a segunda temporada. E aí percebi que tínhamos um sucesso em todo o mundo", acrescentou o ator japonês.

Ken Watanabe em
Ken Watanabe em "Tokyo Vice"

"Em relação à autenticidade da série, tínhamos adereços incríveis, tínhamos um grande orçamento, por isso pudemos usar o guarda-roupa e os carros desse período. Mas também há certas zonas em Tóquio em que nada quase mudou desde os anos 90. A maior parte das pessoas são mais velhas e continuam a ter as mesmas lojas há gerações e gerações. Parece que a arquitetura dos anos 90 é mais antiga e tem uma grande textura. Por isso, foi bastante fácil encontrarmos ótimos locais que se enquadrassem nesse período de tempo", descreve Ansel Elgort.

A transformação de Ansel Elgort em Jake Adelstein: do treino com um jornalista a aprender japonês

Ansel Elgort nas ruas de Tóquio em
Ansel Elgort nas ruas de Tóquio em "Toky Vice"

Construir o olhar de um jornalista sobre o submundo da Yakuza exigiu a Ansel Elgort preparação ainda em solo americano: "quando estava em Los Angeles, segui um repórter do LA Times que trabalha em jornalismo criminal e apercebi-me realmente de como é um trabalho a tempo inteiro e de como nunca se para de trabalhar. Nunca se para de procurar o próximo furo. Há também o facto de o relógio estar sempre em contagem decrescente porque é preciso escrever a história até às cinco da tarde para a edição do dia seguinte".

"Escrevi uma história a sério em Los Angeles. Isto foi antes de eu falar em japonês, talvez agora que falo japonês possa fazer uma reportagem a sério em japonês. Na altura, fui a uma loja que tinha sido assaltada e comecei a sentir como era entrar num local e falar com alguém que não queria falar comigo e como podia convencê-los e implorar-lhes que me dessem uma citação", acrescentou o ator norte-americano, que interpreta o papel do jornalista Jake Adelstein.

Ansel Elgort fala tanto japonês quanto inglês na série e chegar a esse resultado exigiu um processo de muita aprendizagem e treino. "Antes de vir para cá, antes de aprender a ser mais humilde do que era há uns anos, era demasiado confiante. E pensei ´vou ser capaz de aprender as minhas falas como se fossem música, não há problema. Não vai ser assim tão difícil´. Só quando comecei a aprender as minhas falas é que me apercebi que se as dissesse em voz alta e não soubesse o que estava a dizer não ia ser autêntico, não consigo interpretar a personagem", confessa o ator, descrevendo o momento em que percebeu que para falar japonês na série teria mesmo de aprender a língua: "no primeiro episódio da primeira temporada dizia a uma frase a uma rapariga numa discoteca. Era suposto dizer ´estás a divertir-te?´ e o meu professor disse ´perguntaste se o arrozal está a morrer ´(risos). Foi aí que percebi que não ia conseguir fazer um bom trabalho se não aprendesse japonês".

"O Michael Mann dizia: ´Vamos tornar-te fluente na língua o melhor possível´. Por isso, comecei a estudar japonês todos os dias, quatro horas por dia, sem dias de folga, enquanto estava cá. Estava a viver aqui para poder sair e tentar usar o que tinha aprendido e também estava a aprender a escrever em japonês. Também aprendi muito com a cultura, tem sido honestamente a experiência de uma vida. Tive muito tempo para me imergir e conhecer realmente a personagem e tentar obter as características que a personagem tem", detalha Ansel Elgort.

Ken Watanabe corrobora o empenho do colega: "ele é um trabalhador muito esforçado e viajou muito pelo Japão durante os dias de folga porque queria tentar aprender os costumes, a cultura e os sentimentos dos locais. Depois das filmagens, tornou-se um grande japonês, mais do que um ator japonês".

A HBO Max lança os dois primeiros episódios da segunda temporada de "Tokyo Vice" esta quinta-feira, seguidos de um episódio semanal durante oito semanas.

Do elenco da série fazem também parte Rinko Kikuchi (nomeada ao Óscar por "Babel"), Rachel Keller, Show Kasamatsu e Ayumi Ito, assim como Yosuke Kubozuka e Miki Maya.

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