A maior aposta no cumprimento da referida promessa fez-se sentir (em primeira mão no Coliseu do Porto, onde os islandeses – que já se encontravam a ensaiar em Portugal - optaram por inaugurar a tournée) através de uma fortíssima componente visual, que acaba por encontrar um sentido redobrado, tendo em conta que os temas de “Valtari” (2012), último longa duração da banda, foram mote para várias experiências fílmicas.

Com uma pontualidade incomum, a banda e os músicos de suporte foram recebidos euforicamente, para de imediato, ocultos por uma tela na qual se foi desdobrando um jogo de luzes, silhuetas e projeções, darem início ao espetáculo, em que as acelerações taquicárdicas de Yfirborð se apressaram a ritmar as expetativas dos presentes. O retrocesso aos dois álbuns mais aclamados chegou cedo, primeiro com Vaka, de “()” (2002), e depois com Ný Batterí, a potenciar uma descida às trevas, assente na imagem agigantada de Jónsi (vocalista), imponente e quase monstruoso na visceralidade com que, com o arco, rasgou as cordas da guitarra.

O “pano” cai com Hrafntinna, revelando o ecrã ligeiramente côncavo que passou a albergar as narrativas visuais complementares. Brennisteinn, a novidade que já se tornou familiar pela difusão no youtube, confirmou-se, reverberante, numa composição negra e épica. A Saeglópur (“Takk”,2005), que mescla islandês com “hopelandish” (o dialeto criado pelos Sigur Rós), em que a placidez do piano facilmente se deixa devorar pelo ímpeto da distorção com laivos shoegaze, coube o corte com as ambiências mais funéreas. O curto aceno a “Med Sud I Eyrum Vid Spilum Endalaust” (2008) surgiu na forma de Fljótavík, para dar lugar primeiro a E-Bow, e depois a Varúð e ao suposto disco propósito da atuação, “Valtari”, que compareceu timidamente à festa, mas que ameaçou terminá-la, mais tarde, com Kveikur.

Pelo meio, ainda dois dos temas mais emblemáticos de “Takk”: Hoppípola, em justo usufruto do seu sucesso comercial a consagrar-se no provável momento mais aclamado, acompanhada por um crescendo de palmas condutor para a apoteose; e Glósóli, recordada com grande delírio.

De uma beleza inigualável, envolta na falsa fragilidade da voz de Jónsi, Sven-G- Engla, que parte da dolência para se expandir até à catarse, abriu o único encore. As honras de fecho do primeiro concerto desta digressão mundial ficaram a cargo de Popplagið. Os músicos ainda regressaram ao palco para vários agradecimentos, acalentando a esperança de um segundo encore, que não veio a concretizar-se. Contudo, os ouvintes ainda devotos e reverentes dos islandeses não lhes parecem ter levado a mal.

O espetáculo de abertura esteve a cargo de Blanck Mass, projeto Benjamin John Power, dos Fuck Buttons. Pelas reações do público, as atenções e as opiniões pareceram divididas no que concerne à adequação da escolha.

Texto: Ariana Ferreira

Fotografia: Anais F.Afonso