Trinta anos de música feita pelos 5.ª Punkada por uma revolução de mentalidades face à pessoa com deficiência são celebrados no dia 18 de dezembro com um concerto no Convento São Francisco, em Coimbra.

A banda rock formada por utentes da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) vive intensamente o momento, contou à agência Lusa o coordenador dos 5.ª Punkada.

“Não é todos os dias que se festeja 30 anos e não há muitas bandas em Portugal que possam dizer que comemoram o 30.º aniversário. Falamos de uns Xutos e Pontapés, de Mão Morta e poucos mais. Mas 5.ª Punkada é mais uma dessas bandas”, destacou Paulo Jacob, também músico.

No Convento São Francisco, “a sala está quase cheia”. “Isso é algo que mexe um bocadinho connosco. O pessoal está a viver isto de forma intensa”, assumiu.

“É bom ver este interesse à volta da banda”, que viveu dois últimos anos “indescritíveis". “Superaram completamente as nossas expectativas”, realçou o coordenador.

Da parceria com a Omnichord Records nasceu o disco de estreia, “Somos punks ou não?”, de 2021. Depois disso, a banda criada pelo musicoterapeuta Francisco Sousa (já falecido) a partir de Fausto Sousa querer ser estrela rock - o vocalista é o único elemento que se mantém desde o início - deu um grande salto.

“Gravámos um disco, um documentário, um videoclipe que foi nomeado para os Prémios Play e fizemos e continuamos a fazer uma série de festivais”, como o pré-Paredes de Coura, o Bons Sons, o Luna Fest e até subiram ao palco com os britânicos Coldplay.

Há pouco concluíram uma digressão pela República Checa, Hungria, Eslovénia e Luxemburgo.

Paulo Jacob lembra a relutância com que os 5.ª Punkada entraram na sua vida, há mais de 22 anos. “Eu era daquelas pessoas que evitava ao máximo trabalhar com pessoas com deficiência”. Bastaram dez minutos num ensaio para ficar “completamente rendido”.

A revolução que aconteceu na vida de Paulo é a revolução que o grupo quer disseminar na sociedade através da música. Recusaram outras propostas para gravar discos porque os convites “eram uma espécie de aproveitamento ‘freak show’” da deficiência, aponta Jacob.

Nos 5.ª Punkada, hoje “um grupo bastante coeso”, pesa muito mais a questão da participação do que a inclusão. As letras continuam a ser de Fausto Sousa, mas as composições surgem de ideias de todos os elementos. “Gera-se uma energia muito positiva” nos ensaios na APPC, na Quinta Conraria, em Coimbra. “Temos aprendido muito uns com os outros, a relacionarmo-nos com os outros, musical e não musicalmente”.

Através da exposição “bastante positiva e muito dignificante”, o sucesso dos últimos anos faz-lhes crer que estão a “fazer jus à máxima de criar uma espécie de revolução mental, uma revolução de atitude” na “perceção da sociedade relativamente à pessoa com deficiência”.

Afinal, “se há gente a querer ver-nos cada vez mais e que tem uma resposta bastante positiva, bastante inclusiva e motivadora, só pode ser bom”. “Estamos no bom caminho”, acredita o coordenador.

Em Coimbra, no dia 18, com os 5.ª Punkada vão estar em palco convidados e serão apresentadas algumas músicas que vão integrar o próximo disco, esperado no início do próximo ano.

Paulo Jacob diz que a banda “gostava de chegar aos 40” anos, mas não pensam muito no futuro.

Em todo o caso, estiveram no Festival MIL - Lisbon Internacional Music Network, “uma espécie de mostra para os olheiros da indústria musical e tivemos lá cerca de 100 pessoas”.

“Houve muita gente interessada, portanto ‘the sky is the limit’ [o céu é o limite], como dizem os ingleses, não é?”, concluiu.

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