O cineasta americano Woody Allen apresentou esta sexta-feira o seu novo filme «Irrational Man» [O Homem Irracional] no Festival de Cannes, fora da competição oficial, já que o nova iorquino se recusa a participar na mostra competitiva.

Com bom acolhimento das primeiras críticas, «Irrational Man», que tem previsão de estreia no início de setembro em Portugal, conta a história de um professor de Filosofia, Abe Lucas, interpretado por Joaquim Phoenix, arrasado afetivamente e sem vontade de viver porque todas as causas que defende, da militância política ao ensino, não serviram para nada.

Pouco depois de chegar a uma universidade de uma pequena cidade americana, Lucas inicia dois relacionamentos, um com uma colega de trabalho, Rita Chichards (Parker Posey), que tenta superar um fracasso matrimonial, e outro com a sua melhor aluna, Jill Pollard (Emma Stone), que se torna a sua melhor amiga.

Na mesma linha de «Match Point», o filme afirma que não existe filosofia, «esta masturbação verbal» segundo uma personagem, nem filósofo que possa explicar o comportamento humano.

Na longa-metragem de Woody Allen, a verdade, a mentira, a traição e as relações humanas voltam a integrar uma trama que flui de maneira natural, com destaque para as ótimas interpretações de Emma Stone e Joaquim Phoenix.

A exibição de «Irrational Man» era uma das mais aguardadas da 68º edição do Festival de Cannes, apesar do diretor artístico do evento, Thierry Frémaux, não ter conseguido convencer o cineasta americano a apresentar o filme na competição oficial pela Palma de Ouro.

A obra mais recente de Allen, o mais europeu dos realizadores americanos, recorre mais uma vez a um tema que atravessa boa parte de sua filmografia para tentar apresentar uma resposta às obsessões do autor: as relações entre homens e mulheres, em particular os instintos básicos que arrastam as suas personagens para a depressão, o sentido da vida ou de justiça.

Woody Allen sempre admitiu que sua adolescência foi marcada pela obra do sueco Ingmar Bergman.

«Os seus filmes fascinaram-me», disse na conferência de imprensa.

«Até então, não tinha lido Nietzche ou Kierkegaard, que tanto marcaram o cineasta sueco, mas os temas que abordava provocaram um impacto», reconheceu o cineasta americano, que viu as suas obsessões pessoais transformadas em objetos de estudo dos filósofos.

Aos 79 anos, o americano, que não aceita a inclusão dos seus filmes na mostra competitiva e portanto não tem uma Palma de Ouro, o principal prémio de Cannes, recebeu em 2002 a «Palma das Palmas», uma recompensa para a sua prolífica trajetória e pelo conjunto de sua brilhante carreira.

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