Na quarta-feira, o The Hollywood Reporter (THR) publicou um artigo com várias denúncias sobre os alegados abusos laborais violentos de antigos funcionários de Scott Rudin, um dos mais importantes produtores de cinema e teatro dos EUA, cujos filmes tiveram 151 nomeações e 23 Óscares, e uma das poucas personalidades a ganhar o Óscar, Emmy, Tony e Grammy.

Desde ter partido um computador portátil na mão de um assistente que não lhe conseguiu reservar um lugar num voo esgotado a atirar uma batata assada à cabeça de outro por não ter sido avisado com antecedência de uma reunião, exigindo a seguir que lhe trouxesse outra, "'Toda a gente sabe que ele é um absoluto monstro'" junta vários relatos de antigos funcionários que criam um retrato volátil e vingativo do produtor de filmes como "Este País Não É Para Velhos" ou "A Rede Social", e espetáculos da Broadway como "The Book of Mormon" e "Fences".

Atirar agrafadores, tigelas de cristal ou copos são outros comportamentos habituais de Scott Rudin no primeiro artigo de uma grande publicação sobre o tema, apesar do poderoso produtor ter décadas de reputação como um patrão abusador: nas redes sociais, a jornalista Anne Thompson notou que era algo que se esperava há muito tempo e inevitável na era pós-#MeToo, em que as dinâmicas de poder estão a ser colocadas em causa em Hollywood.

Já num perfil do Wall Street Journal de 2005 significativamente intitulado "Boss-zilla!" [um cruzamento entre patrão e Godzilla], o próprio Rudin calculava em 119 os assistentes que tinham passado por si nos cinco anos anteriores.

Um artigo do mesmo THR de 2010 caracterizava-o como "o homem mais temido da cidade", descrevendo vários atos de crueldade e intimidação antes de apelidá-lo no parágrafo a seguir como "incrivelmente charmoso".

Juntamente com Joel Silver, outro produtor, Scott Rudin também terá sido uma das inspirações de Ben Stiller e Justin Theroux para criar a personagem de Les Grossman (Tom Cruise) do filme "Tempestade Tropical" (2008). O mesmo aconteceu com o filme de 1994 "Swimming with Sharks" ("A Comédia dos Infiéis"), onde era "representado" por... Kevin Spacey.

Em 2014, também se tornou viral a sua descrição de Angelina Jolie como uma "fedelha mimada com um talento mínimo" num dos mails roubados dos servidores da Sony Pictures.

O artigo do THR está a ser recebido com silêncio em Hollywood.

Uma das poucas reações veio da produtora Megan Ellison, fundadora da Annapurna Pictures e produtora de filmes como "00:30 A Hora Negra" (2012), "Her" (2013), "Golpada Americana" (2013) e "Linha Fantasma" (2017).

"Este artigo apenas roça a superfície de todo o comportamento abusivo, racista e sexista de Scoot Rudin. Tal como com o Harvey [Weinstein], muitos têm medo de falar. Apoio e saúdo aqueles que o fizeram. Há uma boa razão para ter medo porque ele é vingativo e não tem escrúpulos em mentir.", escreveu nas redes sociais sobre o produtor com quem trabalhou em "Indomável" (2010).

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