Steve Jobs não foi o fundador da
Pixar, mas foi ele quem, efetivamente, lhe permitiu viver e nela teve fé quando toda a racionalidade financeira indicava que a empresa não tinha qualquer tipo de futuro.

Ed Catmull, co-fundador e presidente da Pixar e também presidente da Walt Disney Animation Studios, sublinhou em comunicado que «Steve Jobs foi um visionário extraordinário, o nosso querido amigo e o farol da família Pixar. Ele viu o potencial do que a Pixar podia ser antes do resto de nós e além do que qualquer pessoa imaginou. Steve apostou em nós e acreditou no nosso sonho louco de fazer filmes em animação por computador; a única coisa que nos disse foi apenas «Façam um filme excecional». Ele é a razão da Pixar ter resultado como resultou e a sua força, integridade e amor pela vida tornou-nos a todos pessoas melhores. Ele fará sempre parte do ADN da Pixar. Os nossos corações estão com a sua esposa Laurene e os seus filhos nesta época incrivelmente difícil».

Steve Jobs faleceu a 5 de outubro vítima de cancro no pâncreas, que lhe fora diagnosticado em 2004.

Além de
toda a importância de Jobs na Apple, amplamente dissecada nos vários obituários que lhe foram dedicados, ele revolucionou o cinema ao apostar numa pequena empresa com o sonho então demencial de fazer animação por computador. A Pixar começou em 1979 como a secção de efeitos digitais da empresa de
George Lucas, a Lucasfilm, que, a duras penas, conseguiu fazer sentir a sua marca ao criar efeitos tão revolucionários como o da renovação de um planeta em
«Star Trek II: A Ira de Khan» e o do vitral que ganha vida em
«O Enigma da Pirâmide».

Mesmo assim, quando Lucas se viu forçado a alienar parte da sua empresa devido à liquidez de que então necessitava em consequência do seu processo de divórcio, a Pixar, um departamento ainda não rentável, acabou por ser colocada à venda. Foi assim que em 1986 Jobs pagou cinco milhões de dólares a Lucas pela Pixar, com o compromisso de investir outros cinco na própria empresa, que ele não via como um estúdio de animação mas sim como companhia de criação de hardware, com a qual venderia os então reconhecidos Pixar Image Computers.

Só que entretanto,
John Lasseter começou a fazer curtas-metragens que provavam a viabilidade da animação informática, como «Luxo Jr.», e até ganhavam Óscares, como sucedeu com «Tin Toy». E o foco da empresa foi mudando gradualmente para o cinema propriamente dito. Mesmo assim, durante cinco anos, a Pixar consumiu milhões de dólares sem qualquer retorno à altura, sem que Jobs deixasse a empresa cair (embora tivesse chegado a procurar eventuais compradores).

Foi só quando a Pixar assinou um contrato para produzir longas-metragens para a Disney que a empresa ganhou um novo fôlego, que se tornou definitivo quando a primeira longa-metragem da empresa
«Toy Story - Os Rivais» faturou 350 milhões de dólares em todo o mundo. E a partir daí, sob a sua liderança, a Pixar tornou-se o estúdio de cinema de animação de maior sucesso da atualidade, com uma sucessão imparável de mais de uma dezena de longas-metragens de imenso sucesso de público e crítica, como
«À Procura de Nemo» ou
«Wall.E».

O relevo da Pixar tornou-se tal que em 2006, o outrora pequeno estúdio de animação digital foi adquirido pela Disney numa operação que envolveu 7,4 mil milhões de dólares e que tornou Jobs o maior acionista individual da Walt Disney Company, com 7% da empresa. Mais que isso, a cultura da Pixar passou a dominar a Disney, com Ed Catmull como presidente do Walt Disney Animations Studios e John Lasseter como o seu responsável criativo.

O responsável pela união das empresas foi também
Bob Iger, atual presidente e CEO da Walt Disney Company, que afirmou em comunicado que «Steve Jobs era um grande amigo bem como um conselheiro de confiança. O seu legado estender-se-á muito para além dos produtos que criou ou dos negócios que construiu. Ele estará nos milhões de pessoas que ele inspirou, cujas vidas mudou, e na cultura que ele definiu. O Steve foi um imenso «original», com uma mente de tal forma criativa e imaginativa que definiu uma era. Apesar de tudo o que ele atingiu, parecia que estava apenas a começar. Com o seu falecimento, o mundo perdeu um verdadeiro original, a Disney perdeu um membro da sua família, e eu perdi um grande amigo. Os nossos pensamentos e orações estão com a sua esposa Laurene e os seus filhos neste momento difícil».

O próprio
Steven Spielberg, co-fundador da DreamWorks, cujo estúdio de animação se tornou um dos grandes rivais da Pixar, não se poupou a palavras ao definir o recém-falecido visionário: «Steve Jobs foi o maior inventor desde Thomas Edison. Ele colocou o mundo na ponta dos nossos dedos».