O cineasta dissidente iraniano Jafar Panahi, vencedor do Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim de 2015 por "Táxi", foi detido esta segunda-feira, informou a agência de notícias iraniana Mehr.

É o terceiro realizador preso em menos de uma semana no Irão.

"Jafar Panahi foi detido hoje quando se dirigiu ao Ministério Público de Teerão para acompanhar o caso de outro cineasta, Mohammad Rasoulof", preso na sexta-feira, segundo avança a Mehr.

"Ainda não há informações sobre o motivo da detenção de Panahi, a sua ligação com o caso Rasoulof ou outros presos na semana passada", acrescentou.

Panahi, de 62 anos, é um dos cineastas iranianos mais premiados: além do Urso de Ouro de Berlim, ganhou prémio de melhor argumento no festival de Cannes em 2018 por "Três Rostos".

Artista dissidente, Panahi foi condenado em 2010 a seis anos de prisão e 20 anos de proibição para filmar ou escrever argumentos, viajar ou falar com a imprensa, por "propaganda contra o governo", depois de ter apoiado o movimento de protesto de 2009 contra a reeleição do ultraconservador Mahmud Ahmadinejad para a Presidência da República Islâmica.

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No entanto, Panahi, de 62 anos, continua a viver e a trabalhar no Irão: "Táxi" foi o terceiro filme que dirigiu após a condenação, colocando a câmara dentro de um táxi amarelo que conduziu pelas ruas de Teerão, colocando-se no papel de taxista que conversava com as diversas personagens que transportava, cada uma com uma história e ponto de vista, falando muito da realidade do país.

A agência de notícias iraniana Irna informou na sexta-feira sobre a detenção de dois cineastas acusados de "alterar a ordem pública", por incitarem manifestações após o desabamento mortal de um prédio no sudoeste do país em maio.

Segundo as autoridades judiciais, Mohamad Rasoulof, premiado no exterior, e o seu colega Mostafa Aleahmad "incentivaram as manifestações e perturbaram a ordem pública e a segurança da população, quando a cidade de Abadán vivia um drama", após o desabamento que causou a morte de 43 pessoas.

O prédio Metropol, em construção em Abadan, uma das principais cidades da província de Kuzistão, no sudoeste do país, desabou parcialmente numa rua movimentada.

Esta catástrofe, uma das mais mortíferas em anos no Irão, provocou uma série de manifestações em todo o país em solidariedade às famílias das vítimas e contra as autoridades, acusadas de corrupção e incompetência.

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