O SAPO Mag vai acompanhar as nomeações para os Óscares ao minuto a partir das 12h19 (hora de Portugal continental), apresentadas por um dos casais mediáticos de Hollywood, Nick Jonas e Priyanka Chopra.

ÓSCARES 2021

  • Adiada por causa do impacto da pandemia na indústria, a 93ª cerimónia realiza-se a 25 de abril, a partir de vários locais.
  • O formato ainda não é conhecido. As últimas duas cerimónias não tiveram anfitrião.
  • Pela primeira vez qualificam-se para os Óscares filmes estreados em video-on-demand ou serviços de streaming cujas estreias previstas para os cinemas tenham sido canceladas.
  • A elegibilidade também foi alargada aos filmes lançados entre 1 de janeiro de 2020 e 28 de fevereiro de 2021 (a última vez em que se juntaram dois anos foi em 1932-1933).
  • A cerimónia anual dos Governors Awards foi cancelada e não há Óscares honorários. Durante a cerimónia serem entregues dois Prémios Humanitários Jean Hersholt: ao ator, realizador, produtor e argumentista Tyler Perry (pelo trabalho em causas humanitárias e de justiça social) e à organização Motion Picture And Television Fund (pelos 100 anos de assistência a membros da indústria e às suas famílias).

Na lista de previsões estão filmes de grande diversidade, nas histórias e em quem as conta à frente e atrás das câmaras, mas as escolhas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas vão ser conhecidas num contexto nunca visto em 93 anos da história das estatuetas douradas: o de uma pandemia que fechou cinemas (o que, nos EUA, nem sequer aconteceu durante a Grande Depressão da década de 1930 ou a Segunda Guerra Mundial) e deixou a indústria num caos.

Os estúdios estão a adaptar-se às novas circunstâncias: entre o adiamento de filmes ou o seu lançamento diretamente em streaming, deram-se passos decisivos para reduzir as janelas exclusivas de exibição para os cinemas. O próprio CEO da Disney, o estúdio que mais ganha nas bilheteiras, assumiu que dificilmente se poderá voltar atrás nas mudanças que se estão a operar nos últimos meses na forma de distribuição de "conteúdos" (a palavra detestada pelo realizador Martin Scorsese).

A Academia também se adaptou, anunciando logo no final de abril do ano passado que poderiam qualificar-se filmes estreados em video-on-demand ou serviços de streaming cujas estreias previstas para os cinemas tivessem sido canceladas.

A meio de junho, com os cinemas ainda fechados, as rodagens suspensas e afetados o trabalho de pós-produção de filmes que deviam estar prontos até ao final de 2020 e os festivais que são grandes rampas de lançamento para possíveis candidatos às estatuetas, a organização adiou a 93.ª cerimónia de 28 de fevereiro de 2021 para 25 de abril (a data mais tardia desde a primeira vez que foram entregues estatuetas, a 16 de maio de 1929) e alargou a elegibilidade a todos os filmes que fossem lançados entre 1 de janeiro de 2020 e 28 de fevereiro de 2021 (a última vez em que se juntaram dois anos foi em 1932-1933).

Cerimónia é uma situação "fluída"

A 10 de fevereiro, a Academia anunciou que a cerimónia seria "em direto do Dolby Theatre de Los Angeles e vários locais", mas parece que o seu formato ainda não está definido e nem sequer se sabe se terá anfitrião.

No início de dezembro, anunciava-se "uma equipa de sonho que responderá diretamente a estes tempos" para produzir o espetáculo que incluía o realizador Steven Soderbergh, que viu um dos seus filmes, "Contágio", ganhar uma nova popularidade por antecipar o distanciamento social, hospitais improvisados e disputas por curas de eficácia duvidosa muito antes da COVID-19 torná-los realidade.

A imprensa especializada americana garante que a situação se mantém fluída.

Por exemplo, apesar do sinal de otimismo com a ordem para reabrir os cinemas em Los Angeles esta segunda-feira, o consenso é que o Dolby Theatre deverá ser usado de alguma forma, mas não poderá albergar a cerimónia: distanciamento social é a prioridade e sabe-se que os engarrafamentos de multidões não acontecem apenas na passadeira vermelha.

A solução poderá passar por "quanto maior, melhor": na terça-feira (9), o Deadline Hollywood avançava que a Academia e o canal ABC estão seriamente a ponderar a mudança para a Union Station, a principal estação ferroviária de Los Angeles, que acreditam permitir a segurança e distância de nomeados, estrelas e público.

O que se pode ter a certeza é que a organização tudo fará para evitar que os maiores prémios de cinema do mundo acabem como o que se viu em cerimónias virtuais como as dos Globos (28 de fevereiro) e Critics' Choice Awards (7 de março): a ausência de estrelas e do seu glamour na passadeira vermelha, nomeados em casa em roupa formal, pijamas ou hoodies (sim, estamos a falar da moda lançada por Jason Sudeikis) e os vencedores a agradecer prémios em instáveis ligações por Zoom foi uma mistura bizarra que gerou pouco entusiasmo e péssimas audiências.

Os filmes que forem nomeados não foram vistos nos cinemas

Quando foram anunciadas as nomeações para a 87ª cerimónia dos Óscares, a 15 de janeiro de 2015, muito se falou sobre os nomeados para Melhor Filme praticamente não terem sido vistos pelo grande público.

Com "Sniper Americano" apenas a dar os primeiros passos para se tornar o maior sucesso de sempre na carreira de Clint Eastwood, a lista era liderada pelos 59,1 milhões de dólares de "Grand Budapest Hotel", de Wes Anderson. E os oito nomeados tinham rendido uns paupérrimos 203,1 milhões nas bilheteiras americanas, de longe o valor mais baixo desde que a categoria tinha sido alargada para lá das cinco nomeações.

Seis anos depois, os mais de 9362 membros da Academia com direito a voto nos maiores prémios do cinema preparam-se para nomear filmes que praticamente não estrearam nos cinemas e são desconhecidos do grande público: nesta tardia temporada de prémios, o maior "sucesso de bilheteira" entre os favoritos às nomeações para Melhor Filme é "Uma Miúda com Potencial", com quase 5,4 milhões de dólares nos EUA.

Também não se sabe qual o impacto psicológico da pandemia entre os votantes:surgiram notícias de que "andaram muito distraídos e alguns confessam que andavam a ver mais programas de televisão sobre política e para distrair do que filmes". Teme-se que tenham visto menos em "casa" (e sabe-se lá se aguentaram do início ao fim) e a seleção de nomeados seja mais pequena do que as de outras organizações e associações de críticos. E no intrincado processo de contagem, deve-se ter isto em conta: se os 9362 membros votarem, serão precisos 852 votos para conseguir uma nomeação para Melhor filme.

Seja como for, a pandemia acelerou e consolidou muito mais depressa o papel cada vez mais importante do streaming no panorama do entretenimento de Hollywood e os Óscares devem já refletir essa nova realidade.

OS FILMES FAVORITOS DA TEMPORADA (E ONDE OS PODEMOS VER)

No ano passado, os estúdios tradicionais colocaram na corrida títulos como "Joker", "Era Uma Vez... em Hollywood", "1917", "Le Mans '66: O Duelo", "Mulherzinhas" e "Jojo Rabbit" e a Netflix "O Irlandês" e "Marriage Story". No fim, ganhou a pequena distribuidora Neon com "Parasitas.

Mas após os grandes estúdios adiarem várias das suas apostas (os novos filmes de Spielberg, Wes Anderson, Denis Villeneuve, Ridley Scott...), a ordem deverá inverter-se este ano: a Netflix deverá entrar na corrida com "Mank", "Os 7 de Chicago" (ironicamente, vendido pelo estúdio Paramount por causa dos cinemas estarem fechados) e "Ma Rainey: A Mãe do Blues" (mais improvável será "Da 5 Bloods: Irmãos de Armas") e a Amazon tem ambições com "Uma Noite em Miami..." e esperanças com “Som do Metal” (e está à espreita "Borat, o Filme Seguinte").

Na corrida para Melhor Filme, onde podem entrar mais de cinco e até 10 nomeados, só a Warner parece ter algumas hipóteses de representar os grandes estúdios graças a "Judas e o Messias Negro" (que lançou ao mesmo tempo em alguns cinemas... e na HBO Max), mas as distribuidoras especializadas ajudam a "salvar a honra" com o cinema independente representado por "Uma Miúda com Potencial" (da Focus Features, ligada à Universal Pictures), "Minari" (A24), "O Pai" (Sony Pictures Classics) e "Nomadland - Sobreviver na América" (Searchlight Pictures, ligado à Disney), considerado o grande favorito.

Diversidade e representatividade são quem mais ordena

A diferença que faz um ano: depois das queixas sobre a ausência de mulheres nomeadas para Melhor Realização e a "brancura" de quase todos nomeados nas categorias de interpretação, a 93ª cerimónia dos Óscares pode ter o grupo mais diversificado de sempre.

"Nomadland", a história de uma mulher já com mais de 60 anos (Frances McDormand) que perde tudo na grande crise económica de 2008 e decide viajar através de autocaravana pelo Oeste americano como uma nómada moderna, vai fazer de Chloé Zhao a sexta mulher nomeada em 93 anos para Melhor Realização. E quando ganhar (os votantes não vão deixar passar a oportunidade), será apenas a segunda, após Kathryn Bigelow por "Estado de Guerra", em 2010.

O mais intrigante é que, apenas um ano após tantas queixas pela ausência de mulheres, Zhao pode ter companhia e fazer-se história: Emerald Fennell (a Camilla Parker Bowles das recentes temporadas de "The Crown") e Regina King são também candidatas fortes, respetivamente por "Uma Miúda com Potencial" e "Uma Noite em Miami...", embora uma possa ficar pelo caminho se Lee Isaac Chung ("Minari") conseguir juntar-se aos prováveis nomeados David Fincher ("Mank") e Aaron Sorkin ("Os 7 de Chicago").

Para as quatro categorias de interpretação e 20 vagas têm direito a voto 1363 membros e  a aposta mais segura será a nomeação a título póstumo de Chadwick Boseman para Melhor Ator (no mínimo) por "Ma Rainey: A Mãe do Blues".

Com ou sem pandemia, a categoria volta a ser mais competitiva: Riz Ahmed (“Som do Metal”), Anthony Hopkins (“O Pai”) e Gary Oldman (“Mank”) parecem apostas seguras, o que significa que sobre uma vaga que interessa a Steven Yeun ("Minari"), Mads Mikkelsen ("Mais Uma Rodada"), Tahar Ramin ("O Mauritano"), Delroy Lindo ("Da 5 Bloods"), Tom Hanks ("Notícias do Mundo") e até Ben Affleck ("O Caminho de Volta").

Nas atrizes principais, seguramente que se pode contar com Carey Mulligan (“Uma Miúda com Potencial”), Vanessa Kirby (“Pieces of a Woman”), Frances McDormand (“Nomadland”) e ainda Viola Davis ("Ma Rainey"). Quase de certeza que a quinta vaga será para a cantora Andra Day, que surpreendeu todos praticamente com a sua estreia nos filmes com “Estados Unidos vs. Billie Holiday”, deixando de fora Rosamund Pike (“Tudo Pelo Vosso Bem”), Zendaya ("Malcolm & Marie"), Michelle Pfeiffer (“French Exit”), Amy Adams ("Lamento de uma América em Ruínas") ou Sidney Flanigan ("Never Rarely Sometimes Always").

Entre os atores secundários, Sacha Baron Cohen (“Os 7 de Chicago”) era o favorito na categoria, mas a temporada de prémios tem privilegiado Daniel Kaluuya (“Judas e o Messias Negro”). São apostas seguras, juntamente com Leslie Odom Jr. ("Uma Noite em Miami..."). A seguir fica mais incerto: prevê-se uma segunda nomeação de Chadwick Boseman ("Da 5 Bloods"), mas espreitam Paul Raci ("Som do Metal"), Alan Kim (o miúdo de "Minari"), Bill Murray (“On the Rocks”), Jared Leto (“As Pequenas Coisas”), David Strathairn ("Nomadland"), Bo Burnham ("Uma Miúda com Potencial"), Frank Langella ou Mark Rylance ("Os 7 de Chicago").

OS ATORES FAVORITOS DA TEMPORADA

A categoria mais incerta para fazer antecipações é a das atrizes secundárias, onde Maria Bakalova e Amanda Seyfried chegaram a ser vistas como as grandes favoritas: a primeira pode ser prejudicada se muitos votantes ficarem confusos pelo formato e temática de "Borat, o Filme Seguinte" e a diferença entre interpretação e reação às situações, enquanto a segunda com "Mank" perdeu nos Globos de Ouro e Critics Choice e nem foi nomeada pelo sindicato dos atores e os BAFTA (os "Óscares" britânicos). E não faltam mais interessadas:  Youn Yuh-jung (a avó de "Minari"), Jodie Foster ("O Mauritano"), Olivia Colman ("O Pai"), Glenn Close ("Lamento de uma América em Ruínas"), Helena Zengel ("Notícias do Mundo"), Elle Burstyn  ("Pieces of a Woman) e Dominique Fishback ("Judas e o Messias Negro").

Portugal? Ainda não é este ano

Ao contrário do ano passado, quando "Tio Tomás - A Contabilidade dos Dias", de Regina Pessoa, chegou à “short-list” de 10 candidatos para Melhor Curta-Metragem de Animação, e "Klaus", onde trabalharam portugueses, chegou à nomeação para o Óscar de Melhor Filme de Animação, o interesse "nacional" no anúncio das nomeações é muito menos especial.

A única esperança de "representação" portuguesa reside na possível nomeação na mesma categoria do americano "Kapaemahu": com realização de Hinaleimoana Wong-Kalu, Dean Hamer e Joe Wilson, o trabalho conta com a direção de animação de Daniel Sousa.

Nascido em Cabo Verde em 1974 e radicado nos EUA há muitos anos, viveu em Portugal até à adolescência e mantém a nacionalidade. O também realizador até já esteve na corrida às estatuetas em 2014, na mesma categoria, com "Feral".

Pelo caminho ficou "Vitalina Varela", de Pedro Costa, ausente dos finalistas para o Óscar de Melhor Filme Internacional, aumentando para 37 o recorde negativo de Portugal como o país que mais vezes submeteu candidaturas sem chegar às nomeações.

Aconteceu o mesmo com o candidato da Palestina, "Gaza, mon amour", dos irmãos Tarzan Nasser e Arab Nasser, que contou com coprodução portuguesa.

A situação não correu melhor na lista dos 10 finalistas para a categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação, com a ausência de "Altotting", uma co-produção internacional em que estava incluída a produtora portuguesa Ciclope Filmes e contou com a cineasta Regina Pessoa na direcção artística e de animação; "Elo", de Alexandra Ramires, produzido pelo estúdio Bando à Parte e co-produzido pelo estúdio Providences (França); e "Purpleboy", de Alexandre Siqueira, também da Bando à Parte e co-produzido por estúdios belgas e franceses.

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