Os 87 anos não impedem Alejandro Jodorowsky de estar presente na sessão de abertura da Mostra da América Latina, que decorre em Lisboa entre 8 e 11 de dezembro.

O mítico cineasta chileno, uma das maiores referências internacionais do cinema sul-americano desde os anos 70, apresenta o seu novo trabalho, estreado na última edição do Festival de Cannes, “Poesia sin Fín”.

Fiel ao seu estilo de surrealismos, provocações e ousadias visuais, o filme traz um mergulho fortemente autobiográfico partindo da sua infância como menino sonhador e com talento para escrita oprimido pelo pai comerciante – que queria que ele fosse médico.

“Assim que vimos o filme em Cannes pensamos que era a oportunidade perfeita para trazê-lo a Lisboa”, observa António Silva, produtor cultural da Casa da América Latina, promotora do evento.

“Tendo um filme que celebra a sua vida e obra, percebemos rapidamente que este era o cenário perfeito para lhe fazer uma pequena, mas sentida homenagem”. Será a primeira visita do cineasta a Portugal.

Filmes para a família

Já o campeão de prémios da última edição dos Goya no país vizinho, “Truman”, é outro dos destaques e surge, na ótica de António Silva, como um elo de ligação ibero-americano – uma vez que se trata de coprodução entre Espanha e Argentina.

“Dada a ligação histórica da Península Ibérica com a América Latina, é algo natural, que permite certamente ultrapassar obstáculos e abrir espaço para a troca de conhecimento entre os dois lados. A escolha do ’Truman’ acontece essencialmente porque este é um ótimo exemplo do bom cinema que se faz na América Latina e particularmente na Argentina”.

Misto de drama e comédia, o filme traz o ator argentino mais cotado do momento, Ricardo Darín, no protagonismo. Segundo Silva, “é um filme para toda a família e, certamente, um dos pontos altos da Mostra”.

Vegans x carnívoros x macrobióticos…

“O critério principal a que procuramos obedecer todos os anos é o da diversidade, seja ela no género, no estilo ou no país de origem”, enfatiza o produtor cultural.

Impossível não concordar quando se tropeça no cubano “Ômega 3”, um evidente esforço para desvincular a Mostra dos clichés habitualmente associados à produção das Américas luso-hispânicas.

Neste caso, trata-se de uma singular distopia que funde cenários futuristas, animação e uma forte dose de humor cínico num enredo com espaço para uma guerra entre vegans, carnívoros e adeptos de macrobiótica…!

Os sopradores de folhas

Comicidade também no efetivamente engraçado “Sopladora de Hojas”, obra onde a mistura de realismo, personagens naturalistas e situações quotidianas continuam a ser uma fonte inesgotável para bom cinema.

O filme faz o registo imperdível, em nove “capítulos”, de um dia na vida de três adolescentes sem rigorosamente nada de útil para fazer – exceto, claro, coisas muito idiotas como perder as chaves do carro da namorada no meio de um amontoado de folhas secas. Vem daí o título do filme – supostamente a “solução” para o problema dos rapazes…

Dramas sociais

Em registos academicamente mais formais e com forte sentido social, o destaque é o panamenho “Salsipuedes” (o nome refere-se a um bairro da capital do país), que trata da readaptação de um emigrado dos Estados Unidos que desiste de voltar para terrenos mais seguros e permanecer no Panamá com o objetivo de ir atrás do pai, fugitivo da polícia, e da sua identidade.

Já “La Chiperita” (referência a um standard da música paraguaia) retrata a vida de uma jovem do interior, a viver entre os sonhos de um romance com o galã local, o mundo das telenovelas da melhor amiga e a dura realidade dos problemas financeiros.

Por fim, o retrato das dificuldades de um brasileiro na leva migratória do início do século XXI é o foco de “Estive em Lisboa e Lembrei de Você”.

A Mostra é um evento promovido pela Casa da América Latina de Lisboa.

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