Laura Several morreu aos 85 anos, anunciou hoje a Academia Portuguesa de Cinema.
A atriz morreu no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de Esclerose Lateral Amiotrófica, doando o seu corpo à ciência, pelo que não haverá cerimónias fúnebres, disse à Lusa a filha da atriz, Paula Soveral.
Laura Soveral "fez hoje, às 00:15, a sua passagem", vítima de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Num ato de humildade e generosidade, próprio de uma mulher 'muito à frente do seu tempo', doou o corpo à ciência pelo que não haverá cerimónias fúnebres", acrescentou a filha da atriz num comunicado enviado à agência Lusa.
A família da atriz agradece todos os pensamentos de paz, luz e amor que possam ser enviados em sua memória e, por considerar que o "o espírito não morre, é eterno", no âmbito das filosofias orientais, apela a que o espírito de "Laura renasça em breve, para mais uma jornada luminosa".
Laura Several tinha sido distinguida em 2013 com o Prémio Bárbara Virgínia, pela "carreira ímpar no cinema e no teatro nacional", momento que a Academia Portuguesa de Cinema destacou nas redes sociais.
Nascida em Angola em 1933, Laura Soveral somou vários prémios pelo trabalho como atriz, em particular no cinema e no teatro, embora também tenha feito ficção para televisão em Portugal e no Brasil.
Fixou-se em Lisboa, onde frequentou Filologia Germânica, na Faculdade de Letras, e a Escola de Teatro do Conservatório Nacional, tendo enveredado pela representação, no início dos anos de 1960.
Estreou-se em 1964 no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d’Ávila, e quatro anos depois recebeu o Prémio de Melhor Atriz de Cinema pelo então Secretariado Nacional de Informação e pela Casa da Imprensa, pelo filme "Estrada da Vida", de Henrique Campos.
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Nos palcos, trabalhou com grupos como o Teatro da Cornucópia, o Teatro Experimental de Cascais, o Novo Grupo/Teatro Aberto e A Barraca e participou em encenações como "O avarento", "A Casa de Bernarda Alba", "O processo de Kafka", "D. Quixote" e "Primavera Negra".
No cinema, destaca-se a interpretação em "Uma abelha na chuva", de Fernando Lopes, a par de "A divina comédia", "Francisca" e "Vale Abraão", todos de Manoel de Oliveira, "Cinco Dias, Cinco Noites", de José Fonseca e Costa, "Adeus, Pai", de António-Pedro Vasconcelos, "Tráfico", "A Mulher que Acreditava Ser Presidente Dos EUA" e "O Fatalista", de João Botelho, ou "Quaresma", de José Álvaro Morais.
Mais recentemente, Laura Soveral entrou em "Tabu", filme de Miguel Gomes, "Cadências Obstinadas", de Fanny Ardant, e "Os Maias: Cenas da Vida Romântica", de João Botelho.
Em televisão, a par de vários telefilmes nos anos 60, destacam-se as telenovelas "Chuva na Areia" (1985), "Fúria de Viver" (2002), "Morangos com Açúcar" (2005), "Tempo de Viver" (2006) e "Chiquititas" (2007), bem como as minisséries "Ricardina e Marta" (1989), "Os Melhores Anos" (1990), "A Viúva do Enforcado" (1993) e "O Dia do Regicídio" (2006).
Além da distinção pela carreira em 2013, a Academia Portuguesa de Cinema atribuiu-lhe em 2017 o Prémio Bárbara Virgínia, de homenagem a mulheres do cinema português.
Na altura, a academia disse que Laura Soveral representava "um extraordinário exemplo de determinação e profissionalismo para gerações futuras".
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