O cinema americano é feito de super-heróis, animações e sequelas? Os filmes sem grandes efeitos especiais de "antigamente" chegam cada vez menos aos grandes cinemas de todo o mundo?

Com os cinemas dominados pelas grandes produções que custam mais de 100 milhões de dólares e esperam arrecadar muito mais nas bilheteiras de todo o mundo, os filmes de orçamento médio, entre 15 e 70 milhões de dólares, com estrelas e histórias mais "humanas", parecem ter-se transferido para o streaming.

Praticamente com uma carreira de 30 anos e uma das personalidades mais influentes de Hollywood como ator e produtor, Matt Damon tornou-se uma estrela com esses filmes, nomeadamente "O Bom Rebelde", que lhe valeu o Óscar de Melhor Argumento Original.

Numa recente entrevista, o ator explicou que o desaparecimento do mercado do DVD é a razão para algumas pessoas terem a sensação de que Hollywood já não está a fazer filmes para elas quando se põem a navegar pelo que está disponível em streaming.

"O que aconteceu é que o DVD era uma parte gigantesca do nosso negócio, da nossa fonte de receitas. A tecnologia [streaming] tornou isso obsoleto. Nos filmes que costumávamos fazer, podíamos não arrecadar todo o dinheiro nos cinemas porque sabíamos que tínhamos a seguir o [mercado] DVD, seis meses depois podíamos ter outra parte [das receitas], era quase como voltar a estrear o filme. E quando isso desapareceu, mudou o tipo de filmes que podíamos fazer", explicou.

"Fiz o "Por Detrás do Candelabro" [2013, de Steven Soderbergh, com Michael Douglas, sobre o romance do famoso pianista Liberace com o seu jovem amante Scott Thorson] e falei com um executivo do estúdio que me explicou que era um filme de 25 milhões de dólares, teria de gastar isso em cópias e publicidade para o promover. Portanto, agora estou em 50 milhões, tenho de dividir tudo o que consigo com o exibidor [os cinemas], portanto teria de fazer 100 milhões de dólares antes de começar a ter lucro. E a ideia de conseguir fazer isso com esta história de amor destas duas pessoas... é uma gigantesca aposta de risco, como não era nos anos 1990, quando faziam esse tipo de filmes que adorava e eram o meu género", concluiu.

VEJA O MOMENTO DA ENTREVISTA.

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