O Festival Guiões, dedicado à escrita de argumentos em língua portuguesa, terá uma nova edição em junho em Lisboa, para contribuir para a valorização do trabalho de argumentista em Portugal, disse à Lusa o diretor, Luís Campos.

Esta será a oitava edição do Guiões - Festival do Roteiro de Língua Portuguesa, que acontecerá entre o Cinema São Jorge, a Cinemateca Portuguesa e a Universidade Lusófona, com apresentação de projetos, debates e encontros presenciais entre profissionais, depois de uma edição, em 2021, virtual por causa da pandemia da COVID-19.

Entre os convidados desta edição estão os realizadores brasileiros Carlos Saldanha, que fará uma ‘masterclass’, e Aly Muritiba, que apresentará em Lisboa vários filmes, entre os quais “Deserto Particular”, coproduzido por Portugal.

O argumentista brasileiro José Carvalho, que escreveu, por exemplo, a telenovela “Xica da Silva” e o programa de humor “Sai de Baixo”, e Pedro Lopes, diretor de conteúdos da produtora SPi Televisão e autor da série “Glória”, também estarão no Guiões.

Luís Campos descreve o festival como um ponto de encontro para valorizar o papel do argumentista na escala de produção de cinema e audiovisual, mas ainda com um longo caminho a percorrer.

“Apesar de uma escala curta, já vai tendo alguns resultados e o objetivo é que o festival se afirme, a cada nova edição, como uma referência na apresentação de projetos lusófonos”, disse.

Um dos esforços da organização é ter no Guiões a presença de profissionais de outros territórios, das áreas da produção e da distribuição, para que conheçam o que se faz no espaço da língua portuguesa.

O diretor explicou que este ano, em articulação com o programa Europa Criativa, estarão no Guiões profissionais de Espanha, França, Luxemburgo e Itália.

Nesta edição, a organização recebeu 131 candidaturas de projetos a apresentar a concurso – maioritariamente do Brasil e de Portugal -, entre longas-metragens, coproduções e, sobretudo, séries de ficção.

“Há uma clara expressão maior, pelo menos em Portugal, de quem escreve séries do que quem escreve longas-metragens. Pode ter a ver com um certo distanciamento crónico que o cinema português tem tido, do público português”, justificou.

Luís Campos lamenta que, apesar da divulgação, não haja ainda candidaturas de países africanos de língua portuguesa. “É um trabalho que temos de aprimorar”, afirmou.

O diretor do Guiões elogia ainda “a atenção especial” da Academia Portuguesa de Cinema e do Instituto do Cinema e Audiovisual à vertente de escrita de argumento, e ao trabalho de bastidores de vários festivais de cinema na promoção dos argumentistas.

“Estas iniciativas vão contribuindo, mas ainda estamos distantes de uma realidade ideal, otimizada. Tradicionalmente o papel do argumentista numa foi muito valorizado na nossa produção, mas com esta ascensão das séries e das plataformas de ‘streaming’ tem-se dado maior atenção à escrita de guião”, disse.

O Guiões - Festival do Roteiro de Língua Portuguesa decorrerá de 7 a 10 de junho.

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