Públicos diversos impulsionaram os lucros de Hollywood no ano passado, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira, impulsionando a compra de bilhetes durante os fins de semana de estreia para a maioria dos filmes de sucesso.

Este dado confirma uma tendência com vários anos, mostrando como a composição dos espectadores muda ao longo do tempo nos EUA, mesmo para lá das mudanças demográficas na população em geral.

"Cada vez que havia um grande filme que superava as expectativas ou batia um recorde, veríamos que 53% a 60% do público que compareceu ao fim de semana de estreia era composto por pessoas de cor", disse Ana-Christina Ramón, co-autora do Relatório de Diversidade de Hollywood.

"Para as pessoas de cor, e especialmente para as famílias latinas, os cinemas eram como uma excursão em tempos em que quase tudo estava fechado", explicou.

"De alguma forma, as pessoas de cor realmente mantiveram os estúdios a funcionar durante estes dois anos", acrescentou.

Nos EUA, "pessoas de cor" ("people of color") é uma expressão que designa pessoas que não são brancas anglo-saxónicas ["WASP"] e inclui aqueles de comunidades negras, indígenas, latinas ou asiáticas.

O relatório, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, também descobriu que os elencos são mais diversificados, um fator que parece estar a afetar o público à medida que Hollywood lança mais produções em serviços de streaming.

A pandemia de COVID-19 e as restrições comerciais para impedir a sua disseminação significaram uma mudança de estratégia para muitos estúdios, passando de estreias em salas de cinema para lançamentos disponíveis diretamente na televisão de casa.

Produções com elencos diversos tiveram um desempenho especialmente bom com o público mais jovem, com idades entre 18 e 49 anos, segundo o relatório.

Dos 252 filmes analisados, 72 com elenco maioritariamente composto por minorias foram lançados via streaming, como "Raya e o Último Dragão" e "O Príncipe Volta a Nova Iorque".

“Em 2020, as minorias alcançaram representação proporcional pela primeira vez no que se trata da diversidade geral de elenco em filmes, e isso manteve-se em 2021”, disse o co-autor do estudo, Darnell Hunt.

Mas enquanto os atores não-brancos são cada vez mais vistos nos ecrãs, os homens brancos ainda são mais prováveis de serem encontrados nas equipas de rodagem, de acordo com o relatório.

Pouco mais de um quinto dos realizadores dos principais filmes de 2021 eram mulheres e apenas um terço eram “pessoas de cor”.

"A maioria dessas cineastas estão relegadas a filmes de baixo orçamento. O subinvestimento crónico em mulheres e pessoas de cor cria oportunidades limitadas para que possam mostrar os seus talentos a um público mais amplo", disse Ramon.

"A última fronteira está realmente por detrás das câmaras para as mulheres de cor", acrescentou.

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