Filmado na cidade de Le Havre, a longa-metragem, na qual Andre Wilms interpreta um engraxador de sapatos que tenta salvar um menino africano que chega clandestino a este porto do norte da França,
«Le Havre» foi um dos mais aplaudidos até o momento no festival, no qual os críticos já foram submetidos a fortes doses de filmes deprimentes.

Apoiado por amigos e comerciantes num bairro de Le Havre - que Kaurismaki recria nos anos 50 e 60 -, o protagonista protege o menino e ajuda-o a viajar, de forma clandestina, até Londres, onde está a sua mãe.

«Filmei um conto de fadas, mas a realidade é muito mais triste», afirmou
Aki Kaurismaki, na conferência de imprensa no Palácio dos Festivais de Cannes após a exibição do filme, que é interpretado em francês.

O cineasta finlandês admitiu que o mundo é mais obscuro que o mostrado no filme, marcado por belas imagens e um clima de ternura e nostalgia.

«Tinha 10 anos quando me decepcionei com a vida, mas decidi dizer que não estou (decepcionado), e criar esperança para os outros».

«Quanto mais céptico e cínico me torno, mais ternos são os meus sentimentos, não posso mudar. Com a idade, tornei-me mais suave e até gosto das minhas personagens", disse o realizador.

«Le Havre» - terceiro filme do cineasta finlandês em Cannes, depois de
«O Homem sem Passado» (2002) e
«Luzes no Crepúsculo» (2006) - aborda o tema da imigração, um dos mais atuais na França e na Europa.

Além disso, o filme de Kaurismaki é um dos três procedentes de países escandinavos que estão na disputa pela Palma de Ouro, ao lado de
«Melancholia», de
Lars von Trier, e
«Drive», de
Nicholas Winding Refn, duas fitas dinamarquesas faladas em inglês.

O programa desta terça-feira inclui ainda a exibição do filme
«Pater», do francês
Alain Cavalier, também na disputa do prémio principal.

Fora de concurso, foi também exibido o filme americano
«The Beaver», dirigido e protagonizado pela vencedora de Óscar
Jodie Foster, no qual
Mel Gibson, que se viu ultimamente envolvido em escândalos por gritar frases anti-semitas e por gravações telefónicas nas quais ofendia a esposa, interpreta um homem depressivo à beira da loucura.

O festival assiste ainda, também fora de concurso, a um documentário em forma de homenagem sobre a carreira de
Jean Paul Belmondo, um dos actores mais importantes do cinema francês, que completou 78 anos em Abril.

SAPO/AFP

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