A vencedora foi escolhida hoje, por unanimidade, pelo júri do prémio, presidido pelo escritor e professor Antonio Sáez Delgado e que, este ano, integrou os professores Pedro Serra, Ana Paula Arnaut e Cláudia Teixeira, assim como a crítica literária Anabela Mota Ribeiro.

Ana Luísa Amaral, “uma das mais relevantes poetisas da atualidade”, aborda, na sua obra, traduzida para diversas línguas, “a memória e vindicação do feminismo português”, considerou o júri, citado pela UÉ, em comunicado enviado à Lusa.

A obra da vencedora “desdobra-se em áreas tão diversas como a teoria e a prática literárias, reunindo ainda, pelo diálogo que estabelece com a tradição clássica e contemporânea, um conjunto de qualidades que apresentam o melhor dos processos de identificação da nova sociedade portuguesa”, sublinhou.

Instituído pela UÉ em 1996, para homenagear o escritor que lhe dá o nome, o Prémio Literário Vergílio Ferreira destina-se a galardoar anualmente o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa relevante nos domínios da ficção e/ou ensaio.

A edição de 2021 do galardão, segundo a universidade alentejana, contou com nomeações oriundas de sete instituições, em representação de dois países.

Poetisa, professora, investigadora e ensaísta, Ana Luísa Amaral está representada em inúmeras antologias portuguesas e é autora de vários livros de poesia, entre os quais "A génese do amor", com o qual obteve, em 2007, o Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas.

A escritora foi ainda distinguida com o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e galardoada, em Itália, com o Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi, lembrou a academia alentejana.

“Estudiosa da obra de Emily Dickinson, conta ainda com uma importante obra realizada no campo académico”, da qual se destaca o ensaio “Dicionário da Crítica Feminista”, em coautoria com Ana Gabriela Macedo, “referência internacional que colocou Portugal no mapa dos Estudos Feministas”, realçou a universidade.

Num artigo publicado no jornal espanhol El País, no passado dia 3 de outubro, o presidente do júri do Prémio Vergílio Ferreira, o também espanhol Antonio Sáez Delgado, considerou Ana Luísa Amaral como “uma das mais importantes vozes das letras portuguesas das últimas três décadas”.

Amaral construiu “uma obra que se desdobra, em paralelo, na poesia (sede central do seu universo literário) e através do teatro, do ensaio, da narrativa para adultos ou infantil e da tradução”, referiu o professor da Universidade de Évora, no artigo centrado no mais recente livro da escritora portuguesa, “What’s in a Name”, em que, disse, a autora “retoma algumas das suas preocupações fundamentais”.

A obra “habita um território poético que toma como elemento central a tensão entre a observação da realidade quotidiana e a capacidade de expressão e compreensão através da palavra escrita”, assinalou o presidente do júri.

A cerimónia de entrega do Prémio Vergílio Ferreira 2021, tal como nas edições anteriores, está marcada para 1 de março, data em que se assinala o aniversário da morte do escritor Vergílio Ferreira (1916-1996), patrono do prémio e autor de "Aparição".

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