O júri, que contou com a participação de Maria Eunice Moreira, da Escola de Humanidades-Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, no Brasil, referiu ainda que a carreira de Eltit, além de ter transcendido as convenções literárias, contribuiu “para dialogar com a visualidade, crítica, o feminismo, a psicanálise e teorias pós-humanistas contemporâneas”.

“O trabalho de Eltit, consistindo em romances, ensaios e crónicas, como ‘Lumpérica’ (1983), ’Pela Pátria’ (1986), ’O Quarto Mundo’ (1988), ‘Imposto sobre a Carne’ (2010), ‘Somar’ (2018), dá origem a subjetividades e histórias que se juntam pela resistência, marginalidade e esquecimento, onde lucidamente ela resgata as possibilidades de uma nova humanidade”, afirma o júri, segundo comunicado hoje divulgado.

Além da brasileira Maria Eunice Moreira, constituíram o júri Lorena Amaro Castro, do Chile, Marco Belpoliti, de Itália, Rafael Olea Franco, do México, Javier Rodríguez Marcos, de Espanha, e ainda Oana Sabo e Simona Sora, da Roménia.

O júri salientou ainda a “profundidade da escrita única” de Eltit, autora de 72 anos de idade, que “renova a reflexão sobre a Literatura, Linguagem e poder na viragem do século [XX]”.

Diamela Eltit é “uma voz comprometida com as questões mais urgentes da contemporaneidade, em tempos de pandemia, migrações, depredação e devastação ambiental”.

A autora não está publicada em Portugal, segundo a base de dados da Biblioteca Nacional.

O prémio, na sua 31.ª edição, tem o valor pecuniário de 150.000 dólares (127 mil euros, ao câmbio de hoje), e é promovido pela Universidade de Guadalajara, o Governo estadual de Jalisco, os municípios de Guadalajara e Zapopan, entre outras entidades.

Nesta edição foram recebidas 71 propostas, de 17 países, representando 57 escritores e sete idiomas, entre eles, o português.

A poeta portuguesa Ana Luísa Amaral estava nomeada para o prémio, por indicação conjunta da Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas e da Organização de Estados Ibero-americanos (OEI-Portugal), que sublinharam "o contributo inquestionável" desta autora "para o património cultural do espaço ibero-americano".

Em 2020, a vencedora foi a escritora portuguesa  Lídia Jorge, que passou a fazer parte de uma galeria que conta com os autores Nicanor Parra (1991), Juan José Arreola (1992), Eliseo Diego (1993), Julio Ramón Ribeyro (1994), Nélida Piñón (1995), Augusto Monterroso (1996), Juan Marsé (1997), Olga Orozco (1998), Sergio Pitol (1999), Juan Gelman (2000), Juan García Ponce (2001), Cintio Vitier (2002) e Rubem Fonseca (2003).

Outros vencedores do prémio foram Juan Goytisolo (2004), Tomás Segovia (2005), Carlos Monsiváis (2006), Fernando del Paso (2007), António Lobo Antunes (2008), Rafael Cadenas (2009), Margo Glantz (2010), Fernando Vallejo (2011), Alfredo Bryce Echenique (2012), Yves Bonnefoy (2013), Claudio Magris (2014), Enrique Vila-Matas (2015), Norman Manea (2016), Emmanuel Carrère (2017), Ida Vitale (2018) e David Huerta (2019).

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