
O projeto é promovido pelo município de Grândola, em parceria com a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense (SMFOG), também conhecida como Música Velha, uma coletividade centenária que dinamiza duas bandas e uma escola de música.
António Chainho, que fundou a primeira escola de guitarra portuguesa em Portugal, nos anos 80 do século XX, em Lisboa, disse hoje à agência Lusa que a adesão da população de Grândola foi significativa, apelando, porém, a uma maior participação de mulheres e jovens.
“Era bom que aparecessem mais jovens e mulheres a tocar guitarra portuguesa”, afirmou o músico, revelando que a esmagadora maioria dos inscritos é composta por homens com mais de 30 anos, tendo até, alguns alunos, entre 60 e 70 anos.
António Chainho acredita, no entanto, que mais jovens se devem interessar por aprender guitarra portuguesa, após o espetáculo de abertura da escola, que se realiza na terça-feira à noite, no Cineteatro Grandolense.
O músico, com uma carreira de mais de 45 anos, apresenta-se à população com os alunos de Grândola que aprenderam consigo na escola de Santiago do Cacém, de cujo concelho é natural, fundada em 2005.
Foram estes alunos, segundo o consagrado guitarrista, que lançaram o desafio à Câmara Municipal de Grândola para apostar no ensino da guitarra portuguesa.
A presidente do município, Graça Guerreiro Nunes, considera que é “uma boa aposta” e o “retomar de uma tradição”, lembrando que, há mais de 50 anos, “as guitarradas estavam sempre presentes” nas tabernas e em alguns acontecimentos “mais populares”.
A autarca disse ainda à Lusa que a nova escola nasce do “aproveitamento de recursos existentes”, realçando a “qualidade acústica” da sede da Música Velha, cujas obras de requalificação foram inauguradas há cerca de dois anos, no âmbito do programa de regeneração urbana do concelho.
Graça Guerreiro Nunes vincou ainda o “significativo” investimento por parte da autarquia para o financiamento da escola, que “não se paga por si só”.
A comparticipação neste projeto reflete a preocupação do município, na promoção da “diversidade cultural” e da “qualificação das pessoas”, referiu a autarca.
A Escola de Guitarra Portuguesa Mestre António Chainho arranca na terça-feira, com o recital de apresentação do músico alentejano com os seus alunos, seguindo-se aulas semanais até ao final do ano, exceto no mês de agosto.
@Lusa
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