
Ainda o concerto não tinha começado e os pins, t-shirts, CDs e vinis que se vendiam à porta da sala 2 do Hard Club já faziam sucesso. Apesar da maioria dos fãs estar na casa dos 20, foi possível, ao olhar em volta, encontrar alguns melómanos mais velhos, que, ainda assim, não conseguiram parar de bater o pé durante a atuação que se seguiu, que decorreu num ambiente de grande proximidade entre banda e público, não havendo grandes ou fosso a separar artistas e plateia, qual encontro entre amigos, com direito, claro,a uma banda sonora de excelência.
O grupo subiu ao palcoao som deHollow Mountain,que se fez seguirpor Apples e Step aside, com esta última a trazer os primeiros laivos (a sério) de eletrónica à performance. Chegam, então, as primeira palavras trocadas com o público, com direitoa elogios à cidade Invicta - uma cidade "romântica in many ways", na qual o grupo ficou com vontade de ficar mais tempo: "Quem sabe, não nos mudamos para cá para o ano".
De seguida, a banda imergiu em som e o vocalista perdeu-se em batidas, entre pratos de metal e o balançar do corpo. O concerto foi todo ele, aliás, um caldeirão de intensas emoções, que rapidamente invadiamo público, que se perdia em ritmo, aplaudindo non stop os arranjos e improvisos dos Efterklang. O próprio palco parecia, por vezes, não ficar indiferente à música do coletivo, rangendo, a par e passo, com os movimentos dos artistas.
Foi, também, evidente a cumplicidade entre músicos, que transbordavam gozo e prazer em cada nota, em cada palavra - atitude visível em Sedna ou The Ghost, que também integraram o alinhamento, a primeira com uma toada e mensagem mais tristes - "your weight, tipping me over, all living, is taking me over”; a segunda, acompanhada com grande entusiasmo pelo público e realçando a capacidade vocal de Katinka Fogh Vindelev, num fôlego interminável.
A adoração pelo Porto voltou a ser realçada pelo vocalista, com Tatu Rönkkö a revelar-se, por já estar por cá há algum tempo, a tocar bateria,um guia exemplar,confesssando-nos senti-lo especial devido a "algo que acontece à noite".
Pelo Hard Club passaram aindaI was playing drums, Alike, Monument e Modern Drift, com a última a fazer a assistência, que acompanhava a letra com exatidão,rejubilar. Entre temas, Casper Clausen esvaziou o bolso do casaco, evidenciando vários objetos que lhe tinham sido oferecidos em concertos anteriores, em cidades como Paris, Barcelona ou Madrid, entre os quais um mapa, um porta-chaves intitulado Juan Bananae sementes de uma planta. Pediu, também, o contributo dos portugueses, que não hesitaram em aderir à brincadeira, entregando, entre outros mimos, um passe de metro com direito a marca de batom.
O concerto terminou num momento de grande intimidade com o público, com o vocalista a dispensar o microfone, a agachar-se junto dos fãs e a cantar de olhos fechados. Rasmus Stolberg e Tatu Rönkkö, por sua vez, ajoelharam-se no palco, fazendo percussão em pratos de metal, que atiravam. Uma explosão de positivismo e esperança, aliada a uma certa dose de loucura, num espetáculo que contou, também, com alguma nostalgia.
Texto: Sara Ralha
Fotografia: Anais F. Afonso
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