A HISTÓRIA: Uma assassina luta por sobreviver depois de se tornar o alvo da organização para a qual trabalha, enquanto tenta reparar a relação com a sua família.

"Ava": nos cinemas a 22 de outubro.


Crítica: Filipa Moreno

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Em “Ava”, Jessica Chastain é uma assassina com problemas de consciência, um histórico de alcoolismo e abuso de substâncias e um passado familiar conturbado que a fez desaparecer do mapa. Reencontra-se com a família depois do pai morrer, da mãe ser internada no hospital e da irmã engravidar do ex-namorado de Ava.

Sem surpresa, os diálogos estão carregados de subtexto dramático e cada cena é um acrescento numa história apertada em hora e meia de filme. Mas Matthew Newton, que escreveu o guião, esqueceu-se de dar espaço para os acontecimentos respirarem.

Neste contexto, o realizador Tate Taylor, o mesmo de "As Serviçais" (também com Chastain)  faz o que pode com a história que lhe é dada. A ajudá-lo tem um elenco interessante.

Como protagonista, Jessica Chastain tem um carisma que não combina com a sua personagem torturada, a de uma assassina que tira uns minutos do seu trabalho para perguntar às vítimas o que fizeram para merecer aquele destino.

Numa mão cheia de cenas onde o ressentimento é palavra de ordem surge Geena Davis como a mãe e ainda por aqui encontramos John Malkovich como o líder da organização secreta e uma figura paternal, meio enferrujada, que tenta proteger Ava.

Como um colega-assassino com um desejo de vingança contra Ava, Colin Farrell merece outra linha de descrição porque o seu desempenho contrasta com o do resto do elenco: ora é um perigoso e ambicioso assassino, ora é um lutador cansado que desiste da vingança. Não é exatamente o vilão que a história pedia.

Podia dizer-se que há outro vilão aqui e que ele toca nas várias personagens: as relações familiares de Ava são a epítome de disfuncional, com várias atitudes erradas que a história sublinha. Por aqui encontramos a filha mais velha da personagem de Colin Farrell (mais um papel secundário de Diana Silvers, do filme "Booksmart" e da série "Space Force") a revelar ciúmes face à nova família do pai. E a própria Ava afirma ser uma “má pessoa” por querer resgatar a sua relação antiga, destruindo a da irmã, mas não por ter assassinado 41 pessoas.

O mérito de "Ava" está na inteligência emocional da história, o que se revela curto para ser um bom "thriller". Os atores fazem o que podem com as suas personagens densas, mas só queremos ver Jessica Chastain em papéis mais interessantes.

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