A HISTÓRIA: No futuro, o piloto de drones Harp (Damson Idris) é enviado para uma zona militarizada letal, onde se vê a trabalhar para Leo (Anthony Mackie), um oficial androide que foi incumbido de encontrar um dispositivo apocalíptico antes dos insurgentes.

"Zona de Perigo": disponível na Netflix a partir de 15 de janeiro.


Crítica: Daniel Antero

Decorre o ano de 2036 e uma violenta guerra civil irrompeu na Ucrânia. Enquanto procura o senhor da guerra Viktor Koval (Pilou Asbæk), o exército americano tenta manter a paz no país, aplicando a força através de robôs armados: os “gumps” (algo algures entre o Robocop e os Cylons de "Battlestar Galactica").

Com eles está o Capitão Leo (Anthony Mackie, o Falcão da saga "Vingadores"), um protótipo secreto de "quarta geração biotecnológica", programado para tomar decisões baseadas puramente na sua utilidade. É ele que escolhe o ex-piloto de drones Thomas Harp (Damson Idris) para seu subordinado numa missão de entrega de vacinas após ter sido destituído do seu posto por desobediência a um superior durante uma acção militar em que salvou 38 soldados, mas que teve vítimas colaterais.

Procurando criar uma teia moral sobre terrorismo, impessoalidade e impenitência, o realizador Mikael Håfström (de "Cruel", "1408" e "Plano de Fuga") faz-nos seguir ao longo de duas mornas horas por uma espécie de "'Exterminador Implacável' com 'Dia de Treino'", entre a ação fria e pragmática do poder biotecnológico do Capitão Leo e a crescente culpa de Harp, outrora habituado a agir através de um joystick atrás de um ecrã e agora no terreno de arma na mão.

Com o choque de personalidades e atitudes entre os dois protagonistas, os argumentistas Rowan Athale e Rob Yescombe parecem querer mediar a nossa atenção para temas de fundo como a guerra civil e a inteligência artificial. A intenção é clara, mas o desenvolvimento das ideias fica aquém.

Com a ligeireza e o espírito de um "buddy movie", o realizador usa os temas para ocupar tempo até à próxima cena de ação, onde nos dá coreografias de luta sólidas e eficientes, numa colagem ao que de bom se fez em "John Wick" ou nos filmes "Jason Bourne".

Curiosamente, as características superlativas do Capitão Leo nem têm nada de especial, ficando aquém do expectável vindo de um androide. No alto da sua evolução, serve apenas como engodo pois não podemos esquecer que está programado para tomar decisões baseadas puramente na sua utilidade.

O mesmo se pode dizer, afinal, da Netflix e dos seus filmes de ação para as sextas à noite ou períodos de confinamento: o estúdio encontrou uma fórmula convincente para calibrar expectativas e levar-nos a dar uma espreitadela à televisão enquanto regressamos dos nossos afazeres profissionais ou caseiros.

"Zona de Perigo" tem todos os ingredientes dessa fórmula: estrelas relativamente conhecidas, uma história arrebatadora que mistura ideias de vários filmes bem nossos conhecidos, efeitos especiais q.b para o orçamento disponível e sequências de ação a cada cinco minutos. Se for possível um pouco de filosofia ou mitologia barata, ainda melhor.

Com adaptações, já vimos tudo isto em "Tyler Rake: Operação de Resgate", "A Velha Guarda" ou "Project Power: Descobre o Poder". Felizmente, poderemos contar com muitos mais... infelizmente, tal como o Capitão Leo, o mais provável é que não sejam nada de especial.