A HISTÓRIA: A ascensão da carreira de Aretha Franklin – de uma criança que cantava no coro da igreja onde o seu pai era pastor, até atingir o reconhecimento internacional. A notável história verídica da jornada da icónica cantora e compositora norte-americana para encontrar sua voz.

"Respect": nos cinemas a partir de 12 de agosto.


Crítica: Hugo Gomes

Respeito encontra-se em abundância nesta cinebiografia de um dos grandes nomes da música norte-americana, a “Rainha do Soul” Aretha Franklin (1942 – 2018). Infelizmente, o resultado é a passividade que transparece da sua vida no ecrã, confundindo tributo com cedência ao formato convencional e piscadelas à temporada de prémios.

Por outras palavras, sabemos que Aretha Franklin foi essa artista relevante e genial não porque o filme nos diz, mas porque a sua presença se mantém após a sua morte. Nada distingue a sua existência tal como é apresentada neste “Respect” de tantas outras transpostas para cinema, feitas de tragédia familiar, reprovação familiar, amores falhados, decadência com drogas ou álcool, redenção e luzes da ribalta.

O que sobra é uma obra esquemática, esteticamente académica e completamente apoiada no desempenho de Jennifer Hudson (vencedora de um Óscar em “Dreamgirls”), de vozeirão para replicar a imagem de Aretha nos mais diferentes estados, incluindo as suas performances de palco.

Abordemos então os problemas que tendem a contagiar inúmeras cinebiografias e não apenas as americanas: a tentativa de refletir o gosto comum dos admiradores ou a opção pela “pedagogia”.

São poucas as que arriscam ou assumem uma postura biográfica sem medos de eventuais “sujidades”, como foi no caso da vida de outra grande diva afroamericana, Billie Holiday, colocada numa demanda psicológica e agressivamente política num filme recente, infelizmente limitadíssimo de Lee Daniels chamado “Estados Unidos vs. Billie Holiday”. Apesar disso, havia o gesto de interpretar uma personalidade em vez de a conservar num precioso âmbar, como é o caso de “Respect”.

Existem uns poucos momentos neste filme sobre Aretha Franklin em que se nota uma coerência em replicar o real, e com isto a criação de uma nova realidade, que indiciam o projeto que poderia ter sido, mas que não aconteceu. Por exemplo, o da gravação e criação do seu celebríssimo disco “Amazing Grace” (cujas filmagens resultaram num homónimo e esplêndido documentário com assinatura de Allan Elliott e de um “maçarico” Sydney Pollack, lançado apenas em 2018 devido a disputas de direitos de autor), em que sentimos a câmara repousar e deixar-se levar pelo timbre da artista (neste caso, a interpretação de Jennifer Hudson).

Mas “Respect” é principalmente uma oferenda requintada, uma produção com selo de prestígio que dificilmente se destacará daquilo que presenciamos todos os anos em matéria de biografias cinematográficas.

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