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Nome: Peter Bogdanovich

País: Estados Unidos

Nasceu a: 30-07-1939

Peter Bogdanovich (sérvio cirílico: Петар Богдановић), nasceu em 30 de Julho de 1939, em (Kingston, EUA, é um cineasta (português brasileiro) ou realizador (português europeu) norte-americano.

Faz parte da geração de realizadores/directores chamada de "Nova Hollywood" ou ainda, movie brats, (na qual estão incluídos William Friedkin, Brian DePalma, George Lucas, Martin Scorsese, Steven Spielberg, Michael Cimino e Francis Ford Coppola, entre outros). Seu filme mais conhecido é The last picture show "A Última Sessão de Cinema (Brasil).

Trabalha como crítico e historiador de cinema desde a década de 60, tendo entrevistado muitos cineastas/realizadores do cinema, bem como actores e actrizes, como Alfred Hitchcock, Allan Dwan, John Ford, Howard Hawks, e muitos outros. Estas entrevistas renderam-lhe vários livros e documentários (ver lista de livros logo abaixo). Foi amigo pessoal de vários destes profissionais, inclusive de Orson Welles, o qual lhe concedeu várias entrevistas, que foram reunidas em um livro, Este é Orson Welles (This is Orson Welles).

Peter Bogdanovich é filho de imigrantes fugitivos da Europa dominada pelo nazismo: o seu pai, Borislav Bogdanovich (1899-1970) era pintor e pianista sérvio, e a sua mãe, Herma Robinson Bogdanovich (1918-1979), era filha de uma família rica de judeus austríacos.

Estudou actuação com a professora e actriz Stella Adler, por volta de 1955. No início dos anos 60, Bogdanovich começou a programar festivais de cinema para o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Um espectador obsessivo de filmes, quando jovem chegou a assistir a mais de 400 filmes em um ano. Bogdanovich tirou do esquecimento e revalorizou o trabalho de cineastas americanos como John Ford, sobre quem escreveu um livro, baseado em suas notas tomadas enquanto produzia a retrospectiva sobre o director no MoMa; sobre o subestimado Howard Hawks, e também deu atenção aos pioneiros do cinema americano, até então ignorados, como Allan Dwan.

Bogdanovich foi influenciado pelos críticos franceses dos anos 50 da revista Cahiers du Cinéma, especialmente pelo director, actuando especialmente como crítico, François Truffaut. Antes de Bogdanovich tornar-se ele mesmo um director, construiu uma reputação como um crítico de cinema na revista Esquire. Em 1968, seguindo os exemplo dos críticos do Cahiers du Cinéma como Truffaut, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, e Eric Rohmer, os criadores da Nouvelle Vague("Nova Onda"), que faziam os seus próprios filmes, Bogdanovich decidiu tornar-se um director. Ele e a sua esposa Polly Platt fizeram as malas e partiram para Los Angeles. Pretendendo penetrar na indústria do cinema, a persistência de Bogdanovich foi recompensada quando passou a ser convidado para as festas e premiéres de filmes da indústria cinematográfica. Durante uma exibição, Bogdanovich conseguiu conversar com o director Roger Corman. Corman declarou que havia gostado de um artigo que Bogdanovich havia escrito para a revista Esquire. Durante a conversa Corman ofereceu a ele um emprego como director, que foi aceite. Trabalhou com Corman em Na Mira da Morte e Voyage to the Planet of Prehistoric Women. Bogdanovich, mais tarde, disse sobre o estilo de dirigir de Corman: "Eu fui da lavandaria até a direcção do filme em três semanas. Ao todo, trabalhei vinte e duas semanas - pré-produção, filmagem, segunda unidade, corte, dobragem - nunca havia aprendido tanto até então".

Retornando ao jornalismo, Bogdanovich iniciou uma amizade de muitos anos com Orson Welles, ao entrevistá-lo no set de filmagem do filme de Mike Nichols, Ardil-22. Bogdanovich desempenhou um papel crucial em elucidar Welles e a sua carreira de roteirista e actor-director, no seu livro Este é Orson Welles(This is Orson Welles) (1992). No início dos anos 70, quando Welles teve problemas financeiros, Bogdanovich acolheu-o na sua mansão em Bel Air por um período de dois anos.

Em 1970, Bogdanovich foi contratado pelo American Film Institute para dirigir um documentário-tributo a John Ford, Directed by John Ford (1971). O resultado foi um registo considerado clássico sobre Hollywood, que inclui entrevistas com John Wayne, James Stewart, Henry Fonda, narrado por Orson Welles. Fora de circulação por muitos anos, Bogdanovich e TCM lançaram em 2006 uma nova versão, com novas cenas de filmes do director, e entrevistas adicionais com Clint Eastwood, Walter Hill, Harry Carey, Jr., Martin Scorsese, Steven Spielberg e outros.

O cineasta, então com 32 anos, foi aclamado pelos críticos como um garoto-prodígio, nos moldes de Orson Welles, ao realizar o seu filme mais conhecido, The last picture show, em 1971. O filme recebeu oito indicações ao Óscar, incluindo Melhor Director. Ganhou duas estatuetas: Cloris Leachman e Ben Johnson nas categorias de Melhor Actriz e Melhor Actor Secundário. Cybill Shepherd, que interpretou o papel de Jacy Farrow, e Bogdanovich, apaixonaram-se durante as filmagens. O caso ocasionou o seu divórcio com Polly Platt, colaboradora de longa data e mãe dos seus dois filhos.

O filme seguinte de Bogdanovich, outro sucesso, foi Essa Pequena é uma Parada (1972), estrelando Barbra Streisand e Ryan O'Neal, uma “comédia maluca” (screwball comedy) que deve muito a Bringing up Baby (1937) e Jejum de Amor (1941), ambos dirigidos por Howard Hawks. Apesar da sua dívida com os grandes cineastas do passado, Bogdanovich solidificou seu status como um dos grandes directores do cinema, como os premiados Francis Ford Coppola e William Friedkin, com os quais formou The Directors Company, um contrato de produção vantajoso com a Paramount Pictures, que deu aos directores carta branca, se eles se mantivessem dentro das limitações do orçamento combinado. Foi por meio deste contrato que Bogdanovich dirigiu Lua de Papel (1973).

Lua de Papel, uma comédia ambientada na era da Depressão americana, era estrelada por Ryan O'Neal. A sua filha Tatum O'Neal, então com 10 anos de idade, integrante do elenco, ganhou o Óscar de Melhor Actriz Secuncária, e o filme marcou um dos melhores momentos da carreira de Bogdanovich. Forçado a dividir os ganhos com os seus amigos directores, Bogdanovich ficou insatisfeito com o arranjo. The Directors Company produziu somente mais dois filmes, The Conversation (1974), de Coppola, e Daisy Miller, de Bogdanovich, que teve uma recepção fria da crítica.

Uma adaptação do romance de Henry James, Daisy Miller (1974), marcou o início do fim da carreira de Bogdanovich como um director popular. O filme, cuja personagem-título foi interpretado por Cybill Shepherd, noiva do director, foi rejeitado pelos críticos e tornou-se um fracasso de bilheteira.

O filme seguinte de Bogdanovich's, um roteiro original, cujo título foi retirado de uma canção de Cole Porter, “Amor, Eterno Amor” (At Long Last Love) (1975), protagonizado por Shepherd seria, na opinião dos críticos na época, um dos piores filmes já realizados. Esta película também foi um fracasso junto ao público, apesar de contar com Burt Reynolds, um astro do cinema na década de 70.

Tentando novamente reviver técnicas antigas do cinema, Bogdanovich insistiu em filmar os números musicais de At Long Last Love ao vivo/em directo, um processo que não era utilizado desde os primeiros dias dos filmes falados. A decisão foi muito ridicularizada já que ninguém no elenco era conhecido exactamente pelas suas habilidades musicais. (Bogdanovich produziu um disco, em 1974, mal-recebido pela crítica, no qual Cibyll Shepherd cantava canções de Porter).

Bogdanovich voltou aos velhos triunfos e tradições do cinema com No Mundo do Cinema (Nickelodeon) (1976), uma comédia que reconta os primeiros dias da indústria cinematográfica, que reuniu novamente no mesmo elenco Ryan e Tatum O'Neal, além de Burt Reynolds. Aconselhado a não utilizar a impopular Shepherd no filme, Bogdanovich deu uma chance à novata Jane Hitchcock, no papel da mocinha ingénua. Infelizmente, a magia de Paper Moon não se repetiu e o filme foi outro fiasco.

Depois de uma pausa de três anos, Bogdanovich voltou à cena com o filme Saint Jack (1979), realizado para a Playboy Productions, de Hugh Heffner. O relacionamento de Bogdanovich e Shepherd havia terminado em 1978, mas a produção do filme era parte de um acordo judicial que Shepherd havia ganho contra Heffner, que havia publicado fotos da actriz nua, “pirateadas”, em Playboy, do filme The last picture show.

Bogdanovich então lança-se ao filme que seria o Waterloo da sua carreira, Muito Riso e Muita Alegria, (They All Laughed) (1981), uma comédia de baixo custo, estrelada por Audrey Hepburn e a Miss Playboy de vinte anos Dorothy Stratten. Durante as filmagens, Bogdanovich apaixonou-se por Stratten, que era casada com o salva-vidas Paul Snider. Stratten decidiu abandonar Snider e juntar-se a Bogdanovich. Quando ela contou a Snider que ela estava o deixando, Snider matou-a e em seguida suicidou-se.

They All Laughed teve distribuição comprometida devido à publicidade negativa causada pela morte trágica de Stratten, apesar de ser um dos poucos filmes em que Audrey Hepburn actuou depois de sua aposentadoria provisória em 1967 (seria o último filme em que a actriz actuaria no papel principal). Bogdanovich comprou os direitos sobre o negativo do filme, para que ninguém o visse, embora a produção tenha sido vista em um lançamento limitado e despertado uma reacção fraca da crítica. O episódio fez com que Bogdanovich perdesse milhões de dólares, levando-o à falência. O cineasta Quentin Tarantino listou-o como um dos “Dez Melhores Filmes de Todos os Tempos”, em 2002.

O cineaste volta a escrever, já que a sua carreira no cinema estava fragilizada, começando com as memórias de Dorothy, The Killing of the Unicorn: Dorothy Stratten (1960- 1980), publicadas em 1984. O artigo sobre o assassinato de Stratten, escrito por Teresa Carpenter, "Death of a Playmate" (Morte de uma Playmate), foi publicado na revista The Village Voice,, e ganhou o Prêmio Pulitzer em 1981. Embora Bogdanovich nunca tenha criticado o artigo de Carpenter no seu livro, a autora levantou a sua voz contra ele e Hefner, alegando que Stratten era mais uma vítima dos dois, tanto quanto fora de Snider. Em particular, ela criticou Bogdanovich por cultivado, em relação à Stratten, “uma preferência infantil por papéis ingénuos”. O artigo de Carpenter serviu como base para o filme de Bob Fosse Star 80 (1983), no qual Bogdanovich foi retratado como um cineasta fictício, uma pessoa bondosa mas um tanto desorientado e ingénuo.

Apesar de ter conseguido um sucesso moderado com Mask (Mask) em 1985, a sua sequência de The Last Picture Show, A última sessão de cinema continua (Texasville) ([[]]1990), foi um fracasso de público e de crítica. Ambos os filmes foram objecto de disputa entre Bogdanovich, que ainda exigia maior controle sobre os seus filmes, e os estúdios, os quais agora detinham o controle financeiro e sobre a montagem de ambos os filmes.

Mask contou com a banda sonora de Bob Seger, contra o desejo do cineasta, que queria Bruce Springsteen. Quanto à Texasville, Bogdanovich frequentemente queixava-se que a versão que foi posta em exibição não era o filme que pretendia fazer. Uma versão de director de Mask, ligeiramente mais longa e com as canções de Springteen, foi lançada em DVD em 2006. Uma versão de director de Texasville foi lançada em laserdisc, mas nunca foi lançada em DVD. Na época das filmagens de Texasville, Bogdanovich também revisitou o seu primeiro sucesso, The Last Picture Show, e acabou produzindo uma versão de director ligeiramente modificada. Desde esta época, esta versão é a única disponível do filme.

Bogdanovich dirigiu mais dois filmes a seguir. Um deles, Impróprio para menores (Noises Off...), de 1992, tornou-se, anos depois, um cult movie, enquanto que o outro, Um sonho, dois amores (The Thing Called Love), de 1993, é conhecido erroneamente por ser o último filme no qual o actor River Phoenix participou.

Retirado de Sapo Saber a 10-08-2009

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