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«Tabu» recebe críticas diferenciadas no Festival de Berlim

O filme «Tabu», de Miguel Gomes, que concorre ao Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim, foi acolhido de forma diferenciada pela crítica especializada germânica, depois da sua estreia mundial, terça-feira à noite, na capital alemã.

 

Para o «Tagesspiegel», um dos matutinos de referência de Berlim, «Tabu» é um filme «que quase não é deste mundo, tão distante como as vozes dos amantes que nele leem as suas cartas de amor, um filme à margem da grande festa de imagens que é a Berlinale, um filme como papel de seda, que é melhor não ver quando há vento».

Já o «Tageszeitung», também de Berlim, afirma que «Tabu» «começa como um conto de fadas, mas acaba por abordar o passado colonial de Portugal, centrado numa mulher excêntrica».

O mesmo jornal lembra o sucesso alcançado por Miguel Gomes com o seu anterior trabalho - «Aquele Querido Mês de Agosto» -, no qual o realizador português «trata, em certa medida, de desmoronar a ficção».

Com «Tabu», no entanto, Miguel Gomes «transforma os defeitos da ficção numa virtude», diz o crítico alemão.

Já o «Berliner Zeitung», outro importante matutino berlinense, começa por dizer que o filme «Tabu» tem «aspetos enervantes, que parecem ansiar por uma posterior apreciação académica e pela canonização na história do cinema».

Mais adiante, porém, o mesmo crítico reconhece que o filme «tem momentos muito tocantes de um humor melancólico que revelam um olhar muito terno e atento sobre as estranhas figuras».

No painel de críticos de cinema do «Berliner Zeitung» sobre os filmes em competição no Festival de Berlim, «Tabu» surge a meio da tabela, com a nota a tender para o «aceitável», e não é apontado como um dos favoritos ao Urso de Ouro.

O mesmo sucede no painel do «Tagesspiegel», onde apenas um dos seis especialistas lhe dá a nota máxima e a nota predominante é o «aceitável».

Em «Tabu», Miguel Gomes relata, em duas partes bem distintas, a história de Aurora, começando por apresentar a personagem central já idosa e meio louca, a viver em Lisboa, para depois a dar a conhecer, na segunda parte, enquanto jovem, como uma aventureira que tinha uma fazenda, em África, onde viveu um louco amor adúltero e até cometeu um assassínio.

A primeira parte do filme, intitulada «Paraíso Perdido» relata uma vida banal de três personagens, Aurora (Laura Soveral), a sua empregada africana, Santa, e uma vizinha empenhada em causas sociais, Pilar (Teresa Madruga), e termina com a morte de Aurora.

Na segunda parte, que dá pelo nome de «Paraíso», vemos então a jovem Aurora (Ana Moreira), filha de um colono português em África, dona de uma fazenda, casada, mas que trai o marido com um amigo, para tudo acabar em tragédia.

O filme é inteiramente a preto e branco e, na segunda parte, os atores não falam, ouvindo-se apenas o narrador e a banda sonora, em jeito de homenagem de Miguel Gomes ao cinema mudo, principalmente a um dos seus grandes mestres, o alemão Friedrich Wilhelm Murnau.

@Lusa

SAPO Cinema - 15-02-2012 12:00

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