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Realizador Robert Mulligan morreu aos 83 anos

Às vezes basta um grande filme para ficar na história: «Na Sombra e no Silêncio» foi a película que garantiu a imortalidade de Robert Mulligan, realizador norte-americano que faleceu a 20 de Dezembro, aos 83 anos, de doença cardíaca.

 

Desenvolvimento

Nunca foi um cineasta de primeira linha, embora tenha tido uma carreira longa, tanto na televisão como no cinema. Nascido no Bronx, em Nova Iorque, começou a trabalhar na televisão após servir no exército durante a Segunda Guerra Mundial. Começou como estafeta na CBS, mas ascendeu rapidamente e integrou a primeira geração de realizadores dos primórdios da televisão, com Robert Altman, John Frankenheimer ou Sidney Pollack.

Realizou várias séries e telefilmes em directo durante os anos 50, ganhando um Emmy em 1959 pela adaptação do romance de Somerset Maugham «The Moon and Sixpence», que marcou a estreia de Laurence Olivier no pequeno ecrã nos EUA.

A sua estreia no cinema deu-se em 1957, com o drama «Fear Strikes Out», sobre a vida do jogador de basebol Jimmy Piersall, e prosseguiu carreira numa grande variedade de registos, desde a comédia com «The Rat Race» (1960), com Tony Curtis e Debbie Reynolds, ao melodrama, com «Amar um Desconhecido» (1963), com Steve McQueen e Natalie Wood. Após as comédias «The Great Impostor» (1961), com Tony Curtis, e «Come September» (1961), com Rock Hudson, e do filme de aventuras «Labirinto de Paixões» (1962), também com Hudson, chegou o seu filme mais mítico: a adaptação do multi-premiado romance «To Kill a Mockingbird», que por cá se chamou «Na Sombra e no Silêncio». Gregory Peck teve o papel da sua vida como o símbolo de honestidade e decência que é a personagem do advogado Atticus Finch, que valeu o Óscar de Melhor Actor e garantiu a primeira posição na lista dos Maiores Heróis do Cinema Americano realizada pelo American Film Institute. O filme valeu também a Mulligan a nomeação ao Óscar de Melhor Realizador.

A partir daí, mais confiante, o cineasta especializou-se mais em dramas, com títulos sólidos e elogiados durante os anos 60 e 70, entre os quais «Baby the Rain Must Fall» (1965), com Steve McQueen, «O Estranho Mundo de Daisy Clover» (1965), com Natalie Wood, «O Último Degrau» (1967), o «western» «Emboscada na Sombra» (1968), novamente com Gregory Peck, «O Outro» (1972), e «A Estrada do Amanhã» (1978), com um muito jovem Richard Gere. O seu filme mais célebre deste período foi o drama «Summer of '42», baseado nas memórias do argumentista Herman Raucher.

A partir dos anos 80, a sua carreira declinou, realizando apenas mais três filmes: «Beija-me e Adeus» (1982), baseado no romance de Jorge Amado, «Clara’s Heart» (1988), com Whoopy Goldberg, e «The Man in the Moon» (1991), que marca a estreia no cinema, aos 15 anos, de Reese Witherspoon. Embora o resto da sua obra esteja injustamente algo esquecida, «Na Sombra e no Silêncio» permanece como um dos grandes filmes de todo o cinema norte-americano, emblemático de obras com uma certa postura ética que a memória cinéfila sempre valorizou.

Luís Salvado - 22-12-2008

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