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Realizador de «Resident Evil»: Quinto filme é «verdadeiramente épico»

«Resident Evil: Retaliação» acaba de chegar às salas de cinema, uma vez mais com o britânico Paul W.S.Anderson aos comandos. O realizador esteve à conversa com o SAPO sobre o quinto filme da série e os desafios de trabalhar com Milla Jovovich.

Há uma década, em 2002, o britânico Paul W.S.Anderson realizou, escreveu e produziu um filme a que ninguém augurava grande futuro, «Resident Evil», baseada na popular série de videojogos. O sucesso, contra todas as expectativas, foi imenso, e dez anos depois chega às salas o quinto filme da saga, «Resident Evil: Retaliação», uma vez mais assinado por Anderson e como sempre protagonizado por Milla Jovovich, a mulher do cineasta. O filme é o mais caro da série e coloca Alice (Jovovich), que fora capturada pela pérfida Umbrella Corporation, a ser forçada a fugir de uma base subaquática no Círculo Polar Ártico, usada para testar o vírus que dizimou o planeta.

Filmes individuais ou parcelas de uma série?

«Nós pensamos a série filme a filme, porque penso que é uma arrogância achar que temos de garantir que vai haver sempre uma sequela. Por isso cada filme é auto-suficiente. Além disso, eu também não quero que seja preciso ver os filmes anteriores para se poder perceber este, quero que uma pessoa que nunca tenha visto qualquer um dos «Resident Evil» possa entrar aqui e tenha uma excelente hora e meia de diversão no cinema. Acho que isso resultou no «Resident Evil: Ressurreição», em que fizemos crescer o público e a base de fãs da série, e o objectivo é fazer o mesmo aqui. Mas mesmo assim, este tem um final muito surpreendente, e quem conhecer a série notará que se estão a ajeitar as pontas para um grande capítulo final. É por isso que começamos a ver personagens que não víamos há 10 anos a reentrar na série, porque estamos a fechar o círculo e porque quero que fazer regressar a série às suas origens.»

Dirigir Milla Jovovich

«Não é preciso ser exigente com a Milla, ela já é ultra-exigente consigo própria. Ela coloca-se uma fasquia muito alta e é a pessoa mais auto-crítica e empenhada que pode haver. Às vezes eu tenho mesmo de a restringir porque ela quer sempre fazer as coisas mais loucas, que, mesmo esquecendo que sou marido dela, enquanto cineasta seria irresponsável da minha parte deixá-la fazer. Eu adoro que ela queira fazer tudo, mas sei que tenho de a travar.»

Uma evolução de sucesso

«Estou muito orgulhoso desta série e do sucesso em que ela se tornou. O primeiro filme era um projeto em que ninguém acreditava, nenhum estúdio americano o quis fazer. Não teve nenhum dinheiro dos EUA e foi todo financiado na Europa. Era o pequeno filme que ninguém queria mas a paixão das pessoas à frente e atrás das camaras fizeram dele um sucesso enorme. E a seguir foi maravilhoso transformar isso numa série tão grande de filmes, mantendo sempre as mesmas pessoas atrás das câmaras. Ainda por cima mantemos sempre a integridade, porque a série não é propriedade da Sony, o a decisão da série viver ou morrer não depende deles, só depende de quem a faz.»

Entusiasmo permanente pela série

«Se estivesse cansado do «Resident Evil», não teria feito este filme, há muitos outros que posso fazer. Só consigo regressar à série porque tenho entusiasmo e paixão por ela. Por exemplo, foi muito emocionante ir filmar para a Praça Vermelha e fechá-la à noite para rodar: haverá algo mais entusiasmante para um realizador?»

Variações de tom

«Este filme é uma mistura dos anteriores em termos de tom. É um filme épico, com vários ambientes, cada um deles com um visual específico. Por exemplo, há uma cena num ambiente totalmente branco, luminoso e futurista, logo a seguir há uma perseguição de automóvel massiva no meio da Praça Vermelha, que é muito mais escura porque é de noite, e depois o fim tem lugar no gelo e é muito monocromático, quase parece um filme a preto e branco. Por isso há muitas variações de tom. E é verdadeiramente épico, é o filme mais caro da série precisamente pela escala e a ambição.»

A relação com os jogos

«Eu não estou envolvido no desenvolvimento criativo dos jogos. Ser realizador e criador de jogos são aptidões diferentes, eles não fingem que conseguem relizar filmes e eu não finjo que consigo criar jogos. Mas eles mantêm-me ao corrente do que vão fazendo, das criaturas novas que vão imaginando, e coisas assim. E no desenvolvimento de jogos, as coisas estão sempre a mudar, mesmo até ao fim, o que é muito mais dificil de acontecer no cinema.»

«Os Três Mosqueteiros»: sucesso ou fracasso?

«O filme abriu em número um em vários países, fez excecionalmente bem na Alemanha, na Austria e no Japão, por exemplo, mas eu fiquei desapontado com os resultados de bilheteira nos EUA. Mas se pensarmos bem, historicamente o local onde os filmes de mosqueteiros sempre fizeram pior foi nos EUA. Quando terminámos o lançamento da película na China já tínhamos feito cerca de 160 milhões de dólares no mundo todo, o que para um filme com um custo líquido de 50 milhões foi muito bom. E mesmo na América, onde teve resultados menores nas bilheteiras, teve imenso sucesso em DVD e no 'pay per view'. Eu adoro o filme e gostaria de fazer uma sequela, mas não está no futuro imediato.»

Não perca amanhã a entrevista a Milla Jovovich

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