Lina Wertmüller, Jane Campion e Sofia Coppola antecederam-na na nomeação, mas Kathryn Bigelow pode fazer história na próxima cerimónia dos Óscares se a estatueta dourada lhe for parar às mãos, uma vez que será a primeira mulher a conquistar o troféu de Melhor Realização. E, após ter ganho o prémio do Sindicato dos Realizadores, há grande hipótese disso acontecer.
Bigelow começou carreira como pintora e entrou no mundo do cinema por via da arte, estudando depois teoria e crítica cinematográfica na Universidade de Columbia, com professores como Susan Sontag.
Após algumas experiências sem grande consequência, a primeira longa-metragem que realizou a solo, o «neo-western» de vampiros «Depois do Anoitecer» (1987), foi um «flop» de público mas agradou à crítica e tornou-se desde então um êxito de culto. Seguiu-se o filme policial «Aço Azul» (1990), com Jamie Lee Curtis como polícia novata em perseguição de um assassino, mas o primeiro grande sucesso de Bigelow chegou com «Ruptura Explosiva» (1991), com Keanu Reeves e Patrick Swazye. Os «100% de adrenalina pura» que o último reclamava no filme podiam ser aplicados ao trabalho de Bigelow: as suas películas são sempre vertiginosas na encenação da acção, notáveis na construção de ambientes de tensão e muito cuidadas no plano visual.
Um dos produtores de «Ruptura Explosiva» foi James Cameron, então casado com Bigelow e este ano seu rival na conquista do Óscar. O realizador escreveu e co-produziu o filme seguinte da cineasta, «Estranhos Prazeres» (1995), que, como quase todos os da carreira da realizadora, desenvolveu desde então um fenómeno de culto.
Após tentar o drama com «Tempestade no Mar» (2000), Bigelow assinou o «flop» «K-19» (2002), cujo fracasso levaria a que só voltasse à cadeira de realizador em 2009 com «Estado de Guerra». O regresso, contudo, foi em beleza, com um filme sobre o desarmamento de bombas no Iraque que se tornou de longe o seu maior êxito de crítica, e que tem sido um dos maiores arrebatadores de prémios da temporada.
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